Após divergências em campanha, PMDB busca aproximação de Sartori com Dilma

Principal partido da base aliada articula diálogo do governo com governador eleito do Rio Grande do Sul que não apoiou a presidente durante as eleições

Gabriela Lara, correspondente, O Estado de S. Paulo

30 de outubro de 2014 | 18h31

Porto Alegre - Passada a acirrada disputa eleitoral, o PMDB busca curar as feridas internas. Uma delas envolve o governador eleito no Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori, que durante a campanha apoiou os candidatos de oposição à presidente Dilma Rousseff (PT). Para tentar uma aproximação do próximo ocupante do Palácio Piratini com o governo federal, o PMDB designou o deputado federal Eliseu Padilha, mas a articulação também será acompanhada por Michel Temer, presidente nacional sigla e vice-presidente da República.

Apesar da aliança nacional que reelegeu Dilma e Temer, PT e PMDB estiveram em lados opostos no Rio Grande do Sul. Entre os sete peemedebistas eleitos governadores no último domingo, um caso similar aconteceu no Espírito Santo com Paulo Hartung, que apoiou Aécio Neves (PSDB). Já no Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão estava coligado com os tucanos, mas fez campanha para Dilma. A situação mais delicada foi a de Sartori, que venceu no segundo turno o petista Tarso Genro, atual governador. Temer chegou a viajar para o RS em campanha sem ter agenda com Sartori.

No primeiro turno, Sartori fez aliança com o PSB de Marina Silva. Depois, declarou apoio a Aécio. Após uma campanha em que fez críticas à administração petista e derrotou Tarso com 61,21% dos votos válidos, o governador eleito se recolheu para descansar no interior gaúcho, mas a articulação política do PMDB já começou. Fontes do partido não acreditam em retaliação do governo Dilma a Sartori, porém reconhecem que esse caso merece uma atenção especial.

Na última terça-feira, antes de sair de folga, Sartori ligou para Temer para parabenizá-lo pela vitória na eleição nacional. O trabalho de aproximação iniciou naquele momento, quando o vice-presidente acionou o deputado gaúcho Eliseu Padilha para fazer a interlocução com Sartori.

"Eu casualmente estava lá no gabinete na hora (do telefonema de Sartori). Michel então me pediu para fazer a interlocução do governo gaúcho com o governo federal, especialmente com a Vice-Presidência", contou Padilha, em entrevista ao Broadcast Político, serviço em tempo real da Agência Estado. "Michel está disposto intermediar a relação dos governadores eleitos pelo PMDB com o Palácio do Planalto." 

De acordo com Padilha, a intenção do governo federal é que as demandas dos governadores passem pela Secretaria de Relações Institucionais. "Mas o Michel já avisou a presidente e aos outros órgãos da Presidência que ele, como presidente do PMDB, pretende fazer essa interlocução entre os governadores e o governo federal para ter um acompanhamento duplo, para garantir mais agilidade aos pleitos dos governadores", explicou. "O objetivo é que os governadores do PMDB tenham mais acesso ao governo, tenham voz. Sempre tendo como referência a Vice-Presidência."

Mesmo avaliando que haverá naturalmente uma relação institucional entre o Palácio Piratini e o Palácio do Planalto, Temer disse a interlocutores que "as portas estão abertas" para uma aproximação política de Sartori com ele e com Dilma. Tradicionalmente, o ex-prefeito de Caxias do Sul está mais alinhado com o grupo do senador Pedro Simon dentro do PMDB. 

As conversas nesse sentido começaram com o telefonema entre Sartori e Temer na última terça-feira. E vão continuar na próxima semana, quando acontecerá em Brasília a reunião do Conselho Político do PMDB, com a presença das principais lideranças do partido e dos governadores eleitos.

Além do encontro na próxima semana, Temer já pediu a Padilha para marcar outra reunião exclusivamente com o futuro governador gaúcho. "Michel quer conversar com o Sartori para saber quais as preocupações dele, para poder ajudá-lo no governo federal. Sartori pode apresentar uma lista de prioridades, falar objetivamente o que precisa. Já conversaram um pouco sobre isso na terça-feira, mas esse encontro será justamente para aprofundar essa conversa", afirmou o deputado. 

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