Após dia tenso, PMDB se reúne na casa de Roseana

Os ministros do PMDB se reuniram, ontem à noite, na casa da governadora do Maranhão, Roseana Sarney, com o vice-presidente da República, Michel Temer, e o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), no Lago Sul, bairro nobre de Brasília. As informações são da Agência Brasil.

AE, Agência Estado

05 de janeiro de 2011 | 07h50

A reunião ocorreu após uma maratona de reuniões e conversas ao longo do dia. O objetivo do PMDB foi fazer um balanço e avaliar as conversas com os petistas e a repercussão do anúncio de que não está assegurado o apoio do partido ao governo na votação da medida provisória que fixa o salário mínimo em R$ 540, como foi definido pelo governo.

De acordo com Temer, o jantar foi "apenas uma reunião social", na qual os ministros discutiram o futuro do governo e do PMDB. No entanto, o valor do salário mínimo esteve entre os temas da reunião, segundo admitiram alguns dos convidados. De acordo o senador Valdir Raupp (PMDB-RO), a insatisfação com o valor de R$ 540 já foi expressada por parlamentares e vinha sendo colocada na Comissão Mista de Orçamento.

Segundo Raupp, apesar de ter sido aprovado no Orçamento de 2011, o assunto pode ser rediscutido na votação da Medida Provisória que fixou o mínimo. "Agora existe um clamor popular. É um consentimento entre os partidos da base aliada de que dificilmente (o salário mínimo) ficará nesse valor", disse Raupp.

Estiveram na reunião os ministros José Garibaldi Alves, da Previdência Social; Pedro Novaes, do Turismo; Edison Lobão, de Minas e Energia; Nelson Jobim, da Defesa; Wagner Rossi, da Agricultura; e Moreira Franco, da Secretaria de Assuntos Estratégicos; além dos senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Valdir Raupp.

Cargos

Segundo Temer, a divisão de cargos no segundo escalão da gestão de Dilma Rousseff não foi o principal motivo do encontro, mas é um assunto ainda não resolvido. "Não estamos disputando cargos, vamos esperar a decisão da presidenta Dilma. Haverá, naturalmente, uma divisão equitativa (de cargos) entre os partidos políticos", disse.

Mais cedo, numa outra reunião com o PMDB, Temer disse que os anúncios sobre os cargos de segundo escalão do governo estariam suspensos até que a negociação da presidenta Dilma Rousseff com o partido fosse concluída. À noite, o presidente do partido disse que a decisão está mantida.

Ele também negou que o acordo com o PT sobre o apoio na disputa da presidência da Câmara dos Deputados esteja ameaçado. Segundo Temer, o PMDB vai manter sua palavra e apoiar Marco Maia (PT-RS) para dirigir a Casa nos próximos dois anos.

Para o ministro da Previdência, Garibaldi Alves Filho, não há crise por causa de cargos no segundo escalão. "Não gosto dessa palavra, crise, porque isso sugere uma coisa maior. É natural que haja a discussão entre políticos que se elegeram recentemente", afirmou.

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