Após dez anos, legado de Ulysses continua vivo

Os líderes históricos do PMDB, dezanos depois da morte de Ulysses Guimarães, ainda cultuam aesperança de ver recomposto o legado deixado pelo comandante datransição democrática no Brasil. Para o ex-deputado eex-presidente do PMDB Luiz Henrique Silveira, que concorre aogoverno de Santa Catarina, o bom resultado obtido pelo partidonas eleições dos três Estados sulistas é um sinal de que a alahistórica continua viva e forte."O MDB do Sul ainda é muito fiel às suas origens, aUlysses Guimarães", afirma Luiz Henrique. No Rio Grande do Sul,Santa Catarina e Paraná, peemedebistas disputam com boas chancesde vitória o segundo turno das eleições para governador."Aqui no Sul o PMDB é o velho MDB", diz o senadorPedro Simon (RS), admitindo que, nacionalmente, essa ala éminoritária. "Gente como eu é mal vista." Segundo ele, "o MDB jáfoi enterrado várias vezes e sempre ressurge das cinzas", masfalta alguém como Ulysses que lidere uma recomposiçãopartidária."O tempo vai mostrar que a importância do doutorUlysses para a história do Brasil. Ele não foi presidente daRepública, mas exerceu uma grande influência e poder", diz osenador, lembrando que o velho comandante da transição - entãopresidente da Câmara - abriu mão de assumir a Presidência daRepública quando Tancredo Neves morreu, em 1985, para evitar umacrise institucional. Na época, o vice José Sarney tomou posse nolugar de Tancredo, como defendia o ministro do Exército,Leônidas Pires, apesar de a Constituição indicar que o cargodeveria ser ocupado pelo presidente da Câmara até se realizarnovas eleições."Se estivesse vivo hoje, Ulysses teria iniciado umplano de retomada do PMDB, encabeçaria uma nominata, um processode candidatura própria", diz o senador, vencido na discussãointerna que culminou na aliança com o tucano José Serra. "Hojeestá provado que foi um erro não ter candidato próprio." Apesarde estar fazendo campanha para Serra, Simon acha muito difícilque o tucano reverta o favoritismo de Luiz Inácio Lula da Silvae defende que, seja quem for o eleito, todos se unam após aseleições em um "grande entendimento nacional". Esseentendimento, segundo ele, pode culminar em uma reforma políticae, quem sabe, ao final, reconstruir algo parecido com o velhoMDB de Ulysses, um partido de centro-esquerda que incluíssesetores do PMDB, PSDB, PT, PSB, PPS e PDT.Em Brasília, hoje à noite, velhos amigos e companheirosde Ulysses se reúnem no Teatro Ulysses Guimarães parahomenagear o velho comandante. Haverá uma peça de teatro e umshow de Paulinho da Viola, além de uma exposição fotográfica comfotos cedidas pelo Estado.

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