Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

Após desembarque, PP prevê 6 votos da sigla contra impeachment; PTB aposta em 4

PP acredita que PR e PSD devem ter situação semelhante na votação do próximo domingo; PTB não punirá deputados que forem contrários ao processo de afastamento da presidente

Igor Gadelha, O Estado de S. Paulo

13 de abril de 2016 | 11h30

BRASÍLIA - Após anunciar o desembarque da base aliada depois de a bancada na Câmara fechar posição majoritária a favor do impeachment, a cúpula do PP prevê que somente 6 dos 47 deputados do partido votarão contra o impedimento da presidente Dilma Rousseff no plenário da Casa, no próximo domingo, 17.  Nesta quarta-feira, 13, a bancada do PTB também deve anunciar posição majoritária a favor do afastamento de Dilma. Dos 19 deputados do partido, a direção da sigla prevê que apenas quatro votarão a favor da petista.

Ainda nesta quarta, por outro lado, o PDT anunciou apoio integral à presidente Dilma na votação de domingo. Os deputados dissidentes deverão ser punidos pelo diretório nacional.

O número da cúpula do PP é menor do que os 13 deputados que se posicionaram contra o impeachment durante a reunião da bancada do partido na tarde de terça-feira, 12, que acabou culminando com o anúncio de desembarque da sigla. Compareceram ao encontro 44 dos 47 parlamentares. Desses, 31 votaram a favor do impedimento. Os outros faltaram. 

Inicialmente, a cúpula do PP prometia entregar de 20 a 25 votos contra o impeachment. A promessa fazia parte das negociações com o Palácio do Planalto de mais espaço no governo em troca de apoio contra o processo de impedimento da petista. Após a decisão da bancada e do desembarque, no entanto, tudo mudou.

Na terça, o próprio líder do PP na Câmara, deputado Aguinaldo Ribeiro (PB), sinalizou que deverá mudar seu voto. "Sou líder da bancada, tenho que seguir a maioria", disse, após a reunião. Na segunda, 11, o parlamentar tinha votado contra o parecer pro-impeachment na comissão especial.

PTB. Segundo a presidente do PTB, deputada Cristiane Brasil (RJ), apenas os deputados Arnon Bezerra (CE), Adalberto Cavalcanti (PE), Paes Landim (PI) e Pedro Fernandes (MA) votarão contra o impedimento. Todos por questões locais. O partido respeitará os votos deles, ou seja, não vai puni-los.

A dirigente afirma que o número de parlamentares favoráveis ao afastamento de Dilma era maior, mas diminuiu nos últimos dias, após os anúncios de desembarque de partidos como o PP. Segundo ela, deputados como Zeca Cavalcanti (PE) e Jorge Côrte Real (PE) passaram a apoiar o impeachment nos últimos dias.

Pelo Placar do Impeachment do Estado, dos 19 deputados do PTB, 12 se posicionaram a favor do afastamento de Dilma e 3, contra. Outros dois se disseram indecisos e mais dois não foram encontrados ou não quiseram responder à pesquisa.

O anúncio do PTB será feito após reunião da bancada no fim da tarde, comandada pelo líder do partido na Casa, Jovair Arantes (GO). Aliado do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ele foi o relator do parecer pró-impeachment aprovado na comissão especial e que será votado no domingo, 17, no plenário da Casa.

A partir desta quinta-feira, 14, o PTB voltará a ser presidido pelo ex-deputado Roberto Jefferson, delator do Mensalão do PT. Após ter sua pena perdoada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Jefferson voltou à vida política e disse que sua meta será convencer parlamentares a apoiar o impeachment.

Outros partidos. Membros da direção do PP preveem que essa tendência deve se repetir nas bancadas do PR e do PSD, partidos que passaram a ser considerados como os principais pilares da base de sustentação da presidente Dilma, após o rompimento do PMDB com o governo. A cúpula do PP não espera, contudo, que as duas legendas anunciem desembarque do governo como fez a sigla. 

Pelas contas de um influente dirigente do PP, somente 7 dos 40 deputados do PR na Câmara defenderão o governo no plenário, no domingo, o equivalente a 17,5% da bancada. Já no PSD, dirigentes do PP preveem que somente 5 membros se posicionarão contra o impedimento da petista, o correspondente a 13,9% da bancada do partido na Casa, composta por 36 parlamentares. 

As contas da cúpula do PP são próximas aos cálculos de membros desses partidos. No PR, por exemplo, o deputado Maurício Quintella (AL), que deixou a liderança da sigla na Câmara nesta semana para apoiar o impeachment, afirma que de 25 a 30 deputados deverão segui-lo e votar a favor do impedimento de Dilma. A cúpula do PR, contudo, continua contra o afastamento da petista.

No PSD, nenhum cálculo tem sido divulgado. A bancada deve se reunir nesta quarta para discutir como se portará na votação. Alguns parlamentares defendem que o partido siga o exemplo do PP e feche posição majoritária pró-impeachment. No entanto, o líder na Câmara, Rogério Rosso (DF), que é favorável ao afastamento da petista, tem dito que a tendência é liberar a bancada. 

Os números, embora ainda possam mudar até o dia da votação, mostram a dificuldade que o governo terá para barrar o impeachment na Câmara. O governo precisa ter ao menos 171 votos para que o parecer aprovado na comissão especial não seja também aprovado no plenário da Casa. Se aprovado, o processo segue para o Senado, a quem caberá analisar o mérito do pedido. 

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