Após denúncias, Sarney determina saída de diretores do Senado

Acusação é de que diretores empregavam parentes em empresas tercerizadas para burlar veto ao nepotismo

Agência Brasil,

17 de março de 2009 | 18h06

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), determinou nesta terça-feira, 17, que todos os diretores da Casa coloquem o seu cargo à disposição. A informação é da assessoria do Senado, informando, ainda, que amanhã Sarney terá uma reunião importante quando deverá anunciar algumas medidas. Também está previsto para amanhã uma reunião da Mesa Diretora.

 

São ao todo 131 o numero de funcionários que hoje recebem salários de diretores no Senado e que deverão entregar seus cargos. Nem todos eles ocupam realmente o cargo de diretor. Segundo explicações de fonte da Casa, o enquadramento como diretor foi um artifício encontrado por administrações anteriores para aumentar o salário destes funcionários.

 

O número excessivo de diretores surpreendeu a maioria dos senadores. O senador Tião Viana (PT-AC), que disputou a presidência do Senado com José Sarney, elogiou a medida afirmando que vem num momento de desgaste da casa e mostra não ter compromisso com o erro de ninguém e sai em busca da verdade.

 

Desde que tomou posse no dia 1º de fevereiro, José Sarney não consegue colocar nenhuma matéria importante em votação. A pauta do Senado tem sido atropelada por frequentes denúncias de irregularidades praticadas pela administração da Casa.

 

Neste fim de semana, Sarney foi surpreendido com a denúncia de que diretores do Senado empregavam parentes em empresas prestadoras de serviço para burlar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que proíbe a prática de nepotismo da administração pública.

 

O 1º secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), já pediu uma lista completa de todos os servidores terceirizados, que trabalham no Senado, para identificar os casos de parentesco com funcionários do quadro permanente de pessoal.

 

Outra denúncia publicada na última segunda, pelo site Congresso em Foco, informou que a líder do governo no Congresso Nacional, Roseana Sarney (PMDB-MA), teria utilizado passagens aéreas de sua cota parlamentar para trazer amigos e parentes, no último fim de semana, de São Luís para Brasília.

 

A senadora divulgou uma nota da agência de viagens, que presta serviços ao Senado, que teria sido a fonte do Congresso em Foco, informando que a senadora não emitiu bilhetes de sua cota parlamentar para nenhum dos nomes apontados pela matéria.

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