Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Após denúncias, Moreira Franco não garante Geddel no governo Temer

Secretário afirma que presidente 'está muito preocupado' com denúncias de corrupção e tráfico de influência feitas contra articulador político do Planalto e que buscará 'solução que sirva governo e País'

Andrei Netto, correspondente, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2016 | 11h44

PARIS - O secretário do Programa de Parceria de Investimentos (PPI), Moreira Franco, um dos assessores mais próximos do presidente Michel Temer, não descartou nesta segunda-feira, 21, que o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, venha a ser demitido. Falando ao Estado em Paris, onde participa do 4º Fórum Econômico França-Brasil, o secretário informou que a permanência de Geddel está sendo discutida.

"O presidente está tratando dessa questão. Esse problema ocorreu no fim de semana. Ele está muito preocupado", afirmou o secretário, deixando claro que o assunto ainda está em aberto. "Certamente haverá de encontrar uma solução que sirva ao governo, que sirva sobretudo ao País, no sentido de se ter regras que sejam claras, transparentes." Questionado se a possibilidade de demissão de Geddel está afastada,  Moreira Franco disse que não. "Não afasto, nem afirmo. Como eu disse, o presidente vai estar debruçado sobre essa questão", reiterou.

Geddel foi acusado pelo ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, de corrupção e tentativa de tráfico de influência por supostamente tê-lo pressionado a levantar o veto imposto pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) à construção de um condomínio residencial em uma área tombada de Salvador, na Bahia. A informação veio a público em entrevista concedida por Calero ao jornal Folha de S.Paulo. Em resposta, o secretário de governo admitiu que comprou um dos apartamentos do empreendimento, mas desmentiu que tenha pressionado Calero a intervir em favor de seus interesses pessoais.

Oposição. A entrevista de Moreira Franco ao Estado ocorreu durante um encontro com líderes do Movimento das Empresas da França (Medef), maior sindicato patronal do País. Questionado se as denúncias contra membros do governo federal, inclusive ele próprio e o presidente Michel Temer, abalam a imagem do País no exterior, o secretário alfinetou a oposição. "O PMDB é um partido que vocês próprios veem como sendo uma federação. Eu não vejo muito assim, mas, de qualquer forma, isso expressa um ambiente democrático em que o partido não se organizou para fazer delito", afirmou. "Algumas pessoas são acusadas, fizeram, são investigadas, alguns presos, outros não. São pessoas que praticam atos e que estão sendo investigados dentro das regras legais."

Segundo ele, as denúncias "existem" e devem ser enfrentadas. "O objetivo nosso é trazer o Brasil para um ambiente que existe no mundo, que é um ambiente de melhoria das práticas de governança, que tenham mais transparência, com regras de compliance que os valores são muito bem definidos, os limites são bem postos", alegou.

Além de Moreira Franco, dois ministros do governo, Maurício Quintella, dos Transportes, e Marcos Pereira, do Desenvolvimento, estão em Paris. Sobre as denúncias envolvendo Geddel, Pereira pediu compreensão alegando que "o presidente teve uma semana para montar o governo" em razão do impeachment de Dilma Rousseff. "A vida é assim. Você vai limpando, selecionando", disse ele, afirmando que as denúncias do ex-ministro da Cultura "são muito recentes". 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.