Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Após demissão de Moro, 'cercadinho' para populares no Alvorada permanece fechado

Presidente não saiu de casa para falar com seus apoiadores, que costumam ficar em área destinada ao público

Camila Turtelli, Emilly Behnke e Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2020 | 12h18

BRASÍLIA– Após a demissão do agora ex-ministro Sergio Moro, uma das estrelas do governo Jair Bolsonaro, o Palácio da Alvorada amanheceu com o “cercadinho” fechado aos populares pelo segundo dia consecutivo. A abertura do espaço para os populares apenas com a confirmação de uma fala do presidente é novidade. Na rotina do Palácio da Alvorada, é comum que o "cercadinho" fique aberto para os populares se posicionarem à medida que eles chegam ao local e só seja fechado quando Bolsonaro está prestes a sair do Palácio, para evitar a livre circulação e qualquer eventual risco ao presidente.

No sábado, 25, o presidente Jair Bolsonaro não saiu de casa para falar com seus apoiadores, que costumam esperá-lo no local. Neste domingo, 26, até o meio-dia, ainda não havia previsão de que o chefe do Executivo fará o tradicional bate-papo com sua claque. Por esse motivo, a área destinada ao público permanece fechada desde a tarde de ontem.

Hoje cedo, quem veio prestigiar o presidente pôde andar pelos arredores, mas não acessar o “cercadinho” ao lado da entrada do Palácio. Um grupo de evangélicos escolheu orar debaixo das bandeiras, do outro lado do acesso. O vice-presidente Hamilton Mourão passou de bicicleta discretamente pelo local e não foi abordado pelos populares. 

A área dos apoiadores, ao lado do espaço da imprensa, também permaneceu fechada durante a tarde de ontem. Segundo seguranças que guardam o local, o motivo é a ausência de qualquer previsão de o presidente falar, o que de fato não aconteceu ao longo do sábado.

Na sexta-feira, a conturbada saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça fez com que Bolsonaro perdesse seguidores nas redes sociais pela primeira vez desde setembro de 2017. Até sexta-feira, 24, o mandatário não havia registrado um dia sequer de baixa no número de seguidores. Num intervalo de seis horas, entre o pronunciamento do ex-ministro e a coletiva de imprensa do presidente, Bolsonaro e seus filhos — Carlos, Eduardo e Flávio — foram deixados por 86.427 contas. O presidente foi o mais impactado. Às 15h20, 48.473 mil perfis já tinham saído das suas redes. Os dados são da consultoria Bites, que começou a acompanhar as publicações de Jair Bolsonaro no Twitter, Instagram, Facebook e Youtube desde o dia 1.º de setembro de 2017.

Em dias de semana ou mesmo nos sábados, domingos e feriados, Bolsonaro costuma parar no local para conversar com seus apoiadores, tirar fotos, receber bênçãos e ouvir pedidos.

No sábado passado, 18, por exemplo, chegou a convidar uma família de oito pessoas para conhecer a área interna da sua residência oficial. No mesmo dia, ele fez um passeio parando no Palácio do Planalto, no Setor Militar Urbano (SMU) e na Praça dos Três Poderes. Pelo caminho, Bolsonaro conversou com um grupo que pedia o fim do aborto, tirou fotos com policiais militares e até comprou um picolé.

No domingo, 19, o presidente participou de um protesto em Brasília, convocado nas redes sociais, com mensagens contra o STF e o Congresso e favoráveis a uma intervenção militar. Na última terça-feira, o ministro Alexandre de Moraes abriu inquérito para apurar “fatos em tese delituosos” envolvendo a organização dos atos, considedados antidemocráticos.

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