Marcos Pereira/Estadão
Marcos Pereira/Estadão

Após decisão do Twitter, Facebook também remove posts de Bolsonaro

Em meio à pandemia do novo coronavírus, empresa afirma que não permite desinformação que possa causar danos reais às pessoas

Bruno Romani e Paula Reverbel, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2020 | 20h58

Após o Twitter remover duas publicações feitas na conta do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no domingo, o Facebook fez o mesmo nesta segunda-feira, dia 30. A medida também afeta publicações feitas na conta do Instagram, que pertence à empresa de Mark Zuckerberg.

Assim como no caso do Twitter, foram retiradas do ar postagens que mostravam o passeio de Bolsonaro a regiões do Distrito Federal no domingo, apesar da pandemia do novo coronavírus. Na ocasião, ele conversou com apoiadores e vendedores de rua e defendeu a reabertura do comércio, contrariando a orientação explícita de órgãos como a Organização Mundial da Saúde (OMS). O motivo para a exclusão do conteúdo é a violação das normas da rede social.

“Removemos conteúdo no Facebook e Instagram que viole nossos Padrões da Comunidade, que não permitem desinformação que possa causar danos reais às pessoas”, informou a empresa por meio de nota. Segundo apurou o Estado com fontes próximas à empresa, a decisão foi feita pelo time de análise de conteúdo no exterior, que dialogou bastante com a equipe da rede social no país para entender o contexto das publicações. A remoção dos conteúdos foi feita após uma denúncia de irregularidades – algo que qualquer usuário pode fazer na rede social –, não tendo partido de uma postura pró-ativa da empresa de Mark Zuckerberg.

Diante da pandemia do novo coronavírus, Bolsonaro tem defendido um isolamento social mais brando – que ele chama de “isolamento vertical” –, em que apenas os mais suscetíveis ao coronavírus, como idosos, deveriam manter-se afastados de suas atividades cotidianas. A estratégia é alvo de críticas da OMS e de especialistas que apontam, dentre outras coisas, que, caso as medidas restritivas forem relaxadas, aqueles que pertencem a grupos de risco podem ser contaminadas dentro de casa pelos parentes que saírem para trabalhar ou estudar. Reportagem do Estado mostrou que apenas na cidade de São Paulo, cerca de um milhão de pessoas vivem em moradias superlotadas, com mais de três pessoas por dormitório.

O Grupo de Resposta à Covid-19 do Imperial College de Londres – que tem feito projeções matemáticas do crescimento da pandemia quase em tempo real – publicou na quinta-feira um estudo que prevê o número de mortos em diversos cenários. Se o isolamento for ampliado com urgência, ao menos 44 mil brasileiros devem morrer em decorrência da covid-19. Trata-se do melhor cenário. Se apenas os idosos ficarem sem sair de casa, como defende Bolsonaro, o número de mortes sobe para mais de 529 mil. As pesquisas dessa instituição incentivaram Boris Johnson, no Reino Unido, e Donald Trump, nos EUA, a adotar medidas mais severas de isolamento.

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