Após decisão do STF, situação política de Silva se complica

A situação política do ministro do Esporte, Orlando Silva, se agravou após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira de abrir um inquérito para investigar possíveis desvios de recursos do programa Segundo Tempo, gerido pela pasta, segundo avaliação de fontes do Palácio do Planalto ouvidas pela Reuters.

JEFERSON RIBEIRO, REUTERS

25 de outubro de 2011 | 21h05

Essa avaliação foi compartilhada na conversa que o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, teve com o presidente do PCdoB, Renato Rabelo, nesta terça-feira.

A conversa serviu para análise da evolução do quadro político e da relação do governo com o PCdoB, segundo uma fonte próxima ao ministro.

Segundo um auxiliar do Palácio do Planalto, ter um ministro na condição de investigado pelo STF não agrada a presidente Dilma Rousseff.

Essa fonte, que falou sob condição de anonimato, disse que o governo não esperava que a ministra Carmen Lúcia fosse tão célere ao analisar o pedido do procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

O pedido de Gurgel foi encaminhado na última sexta-feira à Suprema Corte, e nesta terça a ministra pediu informações ao Tribunal de Contas da União, à Controladoria-Geral da União e ao Ministério do Esporte sobre os procedimentos administrativos já abertos para apurar possíveis desvios de recursos públicos nos convênios do programa Segundo Tempo.

A ministra só não autorizou o procurador-geral a colher depoimentos de Silva, do governador do Distrito Federal e ex-ministro do Esporte, Agnelo Queiroz, e dos envolvidos nas recentes denúncias de desvios veiculadas pela mídia.

Ela prefere analisar um outro inquérito que está em poder do Superior Tribunal de Justiça sobre supostos desvios do programa Segundo Tempo enquanto Agnelo era ministro.

Agnelo pertencia ao PCdoB quando comandava o ministério, mas posteriormente se filiou ao seu atual partido, o PT, e se elegeu governador.

Na sexta-feira, Dilma conversou com Orlando Silva e disse para ele continuar seu trabalho normalmente e continuar se defendendo das denúncias, mas não lhe deu garantias de que não o substituiria caso a situação política se agravasse. A decisão do STF pode selar a saída de Silva do governo.

A conversa entre Carvalho e Rabelo segue um roteiro semelhante ao de outras mudanças promovidas pela presidente no ministério.

O chefe da secretaria-geral costuma se reunir com líderes partidários ou o próprio colega a ser afastado antes da presidente anunciar a saída e a escolha de um sucessor.

Carvalho também costuma sondar possíveis substitutos antes que a presidente oficialize o convite a um novo membro do primeiro escalão.

Silva está na berlinda há pouco mais de uma semana quando o policial militar João Dias Ferreira disse à revista Veja que o ministro é o coordenador de um esquema de desvio de recursos públicos dos convênios do programa Segundo Tempo e que havia inclusive recebido propina na garagem do ministério.

Até agora, o PM não apresentou provas e ele é investigado pela Polícia Federal por desviar recursos de um convênio com a pasta.

Silva negou todas as acusações e disse que o acusador era um "desqualificado" que o estava atacando porque o ministério cobra dele a devolução de mais de 3 milhões de reais por não cumprir convênio assinado com a pasta.

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