Após decisão do STF, Protógenes depõe na CPI dos Grampos

Delegado que comandou a Operação Satiagraha tentou adiar o depoimento, mas teve o pedido negado

Cida Fontes, de O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2008 | 14h49

Após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), o delegado Protógenes Queiroz compareceu à CPI dos Grampos e começou a depor pouco depois das 14h30 desta quarta-feira, 6. Protógenes está aparentemente mais magro, sem barba e, segundo integrantes da Comissão, deverá pedir que a audiência seja secreta. O delegado tentou adiar o seu depoimento, alegando que estava fazendo um curso na Academia Nacional de Polícia, mas o ministro do STF, Carlos Menezes Direito negou o pedido, considerando o argumento do delegado irrelevante. Veja também:STF nega pedido, e Protógenes irá depor na CPI dos GramposCPI nega pedido de adiamento do depoimento de ProtógenesEntenda como funcionava o esquema criminoso As prisões de Daniel Dantas O delegado, que comandou a Operação Satigaraha, alegou que não pode faltar no curso da Academia de Formação da Polícia, que terminará apenas no dia 22.  A convocação de Protógenes foi aprovada no mês passado. Os deputados querem saber se durante as investigações comandadas por ele foi detectado grampo ilegal por parte dos investigados, entre eles Daniel Dantas.  Protógenes recorreu ao STF após a recusa do presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), em adiar o depoimento. "O doutor Protógenes não está se furtando a comparecer, muito pelo contrário. Mas ele não pode ter uma única falta no curso, sob o risco de ser reprovado. Um novo curso só poderia ser feito daqui a 3 ou 4 anos", afirmou Andrade. O delegado foi afastado da Satiagraha pela cúpula da PF. Oficialmente, sua saída se deu em razão de um curso de aperfeiçoamento na Academia Nacional de Polícia, em Brasília. Mas nos bastidores setores da própria PF e do governo avaliaram que ocorreram excessos na operação, que acabou provocando a prisão de 18 pessoas, entre elas o banqueiro Daniel Dantas, o ex-prefeito Celso Pitta e o investidor Naji Nahas.  O presidente da CPI nem chegou a colocar o pedido de Protógenes em votação no plenário da comissão. Na condição de responsável pela condução dos trabalhos, simplesmente indeferiu o pedido alegando que a desculpa não é aceitável. "Ele foi convocado, portanto é obrigado a comparecer. Não estamos impedindo o delegado de fazer seu curso, mas a CPI é prioridade", disse Itagiba.

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