Após decisão da Procuradoria, líder do PPS pede que Cunha se afaste como 'gesto de grandeza'

Rubens Bueno destacou que a decisão de Rodrigo Janot está de acordo com o discurso da sigla, que, desde outubro, vem pedindo a saída do presidente da Câmara

Igor Gadelha e Beatriz Bulla, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2015 | 20h01

BRASÍLIA - O líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR), defendeu nesta quarta-feira, 16, que o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), se afaste do cargo como um "gesto de grandeza". O pedido foi feito logo após Bueno tomar conhecimento de que a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o afastamento do peemedebista do cargo de deputado.

"O presidente Eduardo Cunha não tem condições de permanecer no cargo", afirmou. "Cabe a ele então pedir seu afastamento como um gesto de grandeza", acrescentou o líder do PPS. Bueno destacou que a decisão da Procuradoria está de acordo com o discurso da sigla, que, desde outubro, vem pedindo a saída de Cunha.

Pedido. Como revelou o Estado, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, solicitou ao Supremo o afastamento de Cunha do cargo de deputado federal e, consequentemente, das funções na Presidência da Casa. O pedido foi protocolado no gabinete do ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato na Corte.

O pedido deve ser analisado em plenário pelos 11 ministros do Tribunal, ainda sem data marcada. No pedido, Janot lista uma série de eventos que indicam suposta prática de "vários crimes de natureza grave" como uso do cargo a favor do deputado, integração de organização criminosa e tentativa de obstrução das investigações criminais.

"O Eduardo Cunha tem adotado, há muito, posicionamentos absolutamente incompatíveis com o devido processo legal, valendo-se de sua prerrogativa de Presidente da Câmara dos Deputados unicamente com o propósito de autoproteção mediante ações espúrias para evitar a apuração de sua condutas, tanto na esfera penal como na esfera política", escreveu Janot na peça de 183 páginas.

De acordo com o procurador-geral, o objetivo da medida é garantir a ordem pública para evitar nova prática de crimes e o "regular andamento da instrução e aplicação da lei penal".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.