Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

PSL-RJ desembarca da base de Witzel

Decisão da sigla, a maior bancada na Assembleia, foi tomada após governador criticar Bolsonaro e citar plano de concorrer à Presidência

Caio Sartori e Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2019 | 18h37
Atualizado 17 de setembro de 2019 | 12h15

RIO – Maior partido da Assembleia Legislativa do Rio com 12 deputados, o PSL anunciou nesta segunda-feira, 16, o desembarque da base do governo de Wilson Witzel (PSC). A legenda, comandada no Estado pelo senador Flávio Bolsonaro, era a principal sustentação do governador, eleito na esteira do bolsonarismo. A discordância se deu após Witzel fazer críticas ao presidente Jair Bolsonaro em entrevista e reafirmar o desejo de concorrer à Presidência da República. 

“Eu sou um governador de Estado querendo ser presidente da República. (...) Tem questões macro que só um presidente pode resolver, e eu tenho projetos para o Brasil”, afirmou à Globonews. O desembarque foi ordenado por Flávio após a entrevista, na qual Witzel também negou que sua vitória eleitoral tenha se dado por causa da onda bolsonarista. 

Durante a campanha, Witzel, que concorria em sua primeira disputa eleitoral, não teve o apoio formal de Bolsonaro, mas foi apoiado por seu filho Flávio. Após ser eleito, Witzel agradeceu ao filho do presidente: “Não posso deixar de fazer um agradecimento especial a um querido irmão que me estendeu as mãos e seguiu comigo. É uma pessoa que tem na sua família o DNA da esperança”, disse, em evento na Escola de Magistratura do Rio de Janeiro.

A bancada já vinha insatisfeita com o governador, que há meses tenta se desvencilhar do PSL e marcar posição para uma eventual disputa contra Bolsonaro. Isso se deu tanto na distribuição de cargos no governo quanto na relutância em apoiar a pré-candidatura à Prefeitura do Rio do deputado estadual Rodrigo Amorim, como desejam lideranças do PSL. 

Com o desembarque, os parlamentares do partido terão que deixar os cargos que ocupam na gestão Witzel, o que inclui duas secretarias (Ciência e Tecnologia, ocupada por Leonardo Rodrigues, e Vitimização e Amparo à Pessoa com Deficiência, comandada por Major Fabiana) e a vice-liderança do governo na Alerj, atualmente com Alexandre Knoploch – que já criticava o governador, mesmo sendo seu representante na Casa. 

A postura de Witzel na eleição de 2020 ainda é uma incógnita. Embora tenha protagonizado embates com Marcelo Crivella (PRB), os dois fizeram as pazes em julho e não está descartado o apoio do governador à campanha à reeleição do prefeito – outra possibilidade é se aliar ao ex-prefeito Eduardo Paes (DEM). 

O desembarque foi decidido ontem, após reunião da bancada. Uma nota assinada pelo líder da sigla na Assembleia, Dr. Serginho, diz que a saída se dá “por discordar de posicionamentos políticos do governador. Os 12 deputados do partido reiteram o compromisso com o Estado do Rio.”

Deputados Federais

Em Brasília, os deputados federais Carlos Jordy e Luiz Lima, ambos do PSL do Rio, endossaram a decisão. “É triste e lamentável, mas é algo que se tornou insustentável. O governador tinha uma afinidade muito grande conosco, mas vem se mostrando um crítica ferrenho ao governo federal no intuito de desgastá-lo. Isso é desleal”, disse Jordy. Segundo ele, Witzel está “queimando a largada.” Para Lima, a relação começou a ficar estremecida quando o governador escolheu secretários privilegiando escolhas políticas e não técnicas. 

Já o deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) afirmou discordar da decisão da bancada estadual. Para ele, a decisão foi tomada apenas por Flávio e que não teria a concordância do presidente. “Jair não quer o rompimento, mas o Flávio quer romper a bancada estadual. A federal ele não determina isso, quem determina é o Jair.” / COLABORARAM MARIANA HAUBERT e CAMILA TURTELLI

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