Após critica da OMS, Brasil vai distribuir remédio para dor crônica

Pessoas com dor crônica receberão gratuitamente medicamentos à base de morfina, codeína e metadona, em centros de referência credenciados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A liberação de recursos para as secretarias estaduais efetuarem a compra é uma resposta às críticas da Organização Mundial de Saúde ao baixo emprego desses remédios para aliviar a dor em pacientes brasileiros. Os portadores de hepatite C também terão acesso ao interferon peguilado, um medicamento novo e caro que o governo federal resistia a oferecê-lo na rede pública. ?Não existia uma comprovação científica da eficácia do produto?,justifica o secretário de Assistência à Saúde do ministério, Renilson Rehem, informando ainda que o remédio é cerca de 40 vezes mais caro do que o interferon comum já distribuído pelo SUS. Para receber o tipo peguilado, o doente precisa estar contaminado pelo tipo I do vírus, apresentar baixa carga viral e fibrose hepática. O paciente terá de ir a uma unidade de saúde para receber o remédio. Não poderá levá-lo para casa. Se, em três meses, a pessoa não responder ao tratamento será excluído desse programa. O interferon peguilado e os sedativos estão entre os 87 medicamentos excepcionais do SUS, lista ampliada anteontem em 38 itens por causa da economia de R$ 120 milhões gerada com a isenção de ICMs, PIS e Cofins aprovada pelo Conselho Nacional de Política Fazendária para tais remédios. Com o aumento da oferta de remédios excepcionais, o governo pretende triplicar o número de beneficiados, subindo para 384 mil pessoas. Entre elas, portadores de parkinson, artrite reumatóide, osteoporose e esquizofrenia refratária. Controle Os remédios contra dor, com venda proibida em farmácia, somente deverão estar disponíveis no início de setembro nos centros de referência oncológica ou de tratamento para a dor. São indicados para doentes com câncer ou com outras doenças degenerativas que causam dor permanente. O Ministério da Saúde estima em 60.000 o número potencial de pacientes que atualmente necessitam usar sistematicamente tais remédios supercontrolados. ?A dor crônica não tem jeito, acompanha a pessoa até a morte?, esclarece o secretário Rehem. Ele explica que, normalmente, o problema afeta pacientes em fase terminal ou portadores de câncer situado na área da coluna. O secretário ressalta que nem toda dor pode ser considerada crônica. Uma dor de cabeça, por exemplo, pode ser conseqüência de deficiência visual ou dentes cariados, diz o secretário.

Agencia Estado,

24 Julho 2002 | 16h45

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