Após crítica a ministro, Lula diz que não há crise entre Poderes

Na noite de quinta, presidente reagiu à declaração de Mello, que questionou programas sociais do governo

Leonencio Nossa, de O Estado de S.Paulo

29 de fevereiro de 2008 | 16h02

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliou nesta sexta-feira, 29, que não há uma crise entre Executivo e Judiciário. Reafirmou, porém, as críticas feitas na noite de quinta a declarações do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) . Sem a irritação e emoção do comício em Aracaju, Lula manteve as palavras duras: "É importante ter claro que no Brasil, quando se trata de palpite e opinião, as pessoas precisam concordar que outras podem dar palpite e opinião diferente das delas".   Veja também: Ministro do STF se diz perplexo com agressividade de Lula Tarso defende declarações de Lula sobre ministros do STF Lula se irrita e critica ministros do STF    No comício de quinta a noite, Lula reagiu a uma declaração do ministro Marco Aurélio que questionou os programas sociais do governo definindo-os como eleitoreiros.   "Primeiro: eu não citei o nome do ministro; segundo: eu disse que se a lógica prevalecer, o governo federal não poderá fazer parcerias com municípios e Estados em ano de eleição, e que, num mandato de quatro anos, vai governar dois anos", afirmou em entrevista. E continuou: "É impossível governar o Brasil de forma diferenciada, fazendo justiça, se não envolver pacto federativo com Estados e municípios. São os municípios que estão na ponta".   O presidente frisou que o cartão do Bolsa-Família, programa visado pela oposição, não é entregue pelo presidente da República, mas pelos prefeitos de todos os partidos políticos. "Eu não sei de uma única pessoa por nome que recebe o Bolsa-Família", disse.   Lula também comentou as reações de parlamentares às suas declarações: "O Congresso tem direito de não gostar, mas eu não falei do Congresso. Falei de partidos". Ressaltou ainda que o PSDB e DEM estão questionando os programas sociais do governo por ser este um ano eleitoral.   Para ele, a troca de farpas entre os poderes da República não representa uma crise: "Não tem, não existe crise de poderes neste País. Até porque cada poder tem autonomia suficiente. E aprendemos que a estabilidade da democracia está no fato de respeitar a autonomia de cada um."   E completou: "da mesma forma que como ser humano e brasileiro as pessoas dão palpite sobre as coisas, o presidente da república pode dar palpite e julgar o palpite dos outros. Afinal de contas, estamos num debate político. "Quanto alguém dá uma opinião, pode ouvir uma opinião discordante".

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