Após crises, Senado segue esvaziado

Com média de 46 senadores do total de 81, Casa votou 17 indicações de embaixadores e ministros e uma para mudar resolução interna

Roberto Almeida, O Estado de S.Paulo

19 Maio 2010 | 09h24

SÃO PAULO - Desgastado por sucessivas crises em 2009, o Senado decidiu hibernar neste início de 2010 e acabou esvaziado nas 18 votações nominais realizadas entre 10 de março e 11 de maio. Segundo levantamento realizado pelo Estado, a média de senadores que registraram votos é de apenas 46, de um total de 81.

 

Ao todo, foram a plenário 17 matérias para confirmar indicação de embaixadores e ministros de tribunais superiores e uma para alterar uma resolução da Casa. E, segundo os dados obtidos, pouco mais da metade dos parlamentares tem comparecido e atuado efetivamente nesses primeiros quatro meses do ano legislativo.

 

A votação do dia 20 de abril, que referendou Maria Elisa de Bittencourt Berenguer como embaixadora do Brasil em Israel, teve o menor quórum, com apenas 31 presentes. O maior, com 57 senadores, aprovou o nome do desembargador do Tribunal de Justiça do Ceará, Raul Araújo Filho, para ministro do Superior Tribunal de Justiça.

 

Apenas um senador, Valter Pereira (PMDB-MS), votou em todas as matérias, e apenas um, Marco Fecury (PMDB-MA), teve zero participação - passou por cirurgia, está em licença médica e, segundo seu gabinete, volta dia 1.º de junho.

 

Os demais ou não compareceram, ou estiveram presentes mas não registraram voto ao menos uma vez. Há, entre os mais faltosos assim como entre os que preferiram não registrar voto, pré-candidatos ao governo de seus Estados ou à reeleição ao Senado.

 

A senadora e presidenciável Marina Silva (PV-AC) preferiu se licenciar da Casa dia 29 de abril para cumprir sua agenda de pré-candidata. Alegou que seus compromissos com o partido poderiam prejudicar a atuação no Senado, mas afirmou que voltaria para a votação do projeto Ficha Limpa.

 

Já Aloizio Mercadante (PT-SP), pré-candidato ao governo paulista, que preferiu não se licenciar, justificou cinco faltas por licença médica - também passou por cirurgia - e outras três por atividade política.

 

 

Justificativas. Nos demais casos, assessores informaram que as faltas dos senadores também têm sido justificadas.

 

Geraldo Mesquita Júnior (PMDB-AC) não compareceu a seis votações, ou um terço das matérias que foram a plenário, assim como outros cinco colegas. O senador afirmou por meio de sua assessoria que, às terças-feiras, dia de votação, vai a Montevidéu porque é membro do parlamento do Mercosul.

 

O senador José Nery (PSOL-PA), com seis faltas e 10 casos em que não registrou voto, também as justificou por ser representante do parlamento do Mercosul. Sobre os casos em que não registrou voto, afirmou que as matérias "não geram discussão" e "precisou priorizar audiências com representantes de movimentos sociais e participação em eventos relacionados aos direitos humanos".

 

Almeida Lima (PMDB-SE), que deixou de registrar voto em 16 das 18 matérias, não respondeu ao recado deixado pela reportagem em sua caixa postal. Ele sinaliza pela reeleição.

 

A senadora Ideli Salvatti (PT-SC), que deixou de registrar voto em 14 das 18 votações, informou, por meio de nota, que nomeações de autoridades são pré-acordadas em comissões e que "teve de se ausentar para comparecer a reuniões de articulação de Governo, com lideranças partidárias, com ministros de estados e até com o presidente da República para acordar votações estratégicas para o País".

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