Celso Junior/Estadão
Celso Junior/Estadão

Após corte de funcionários, Museu Sarney fecha as portas

Governador do MA exonerou todos os servidores comissionados do local que tem documentos, homenagens e presentes recebidos no período em que José Sarney foi presidente da República

Diego Emir, especial para O Estado, O Estado de S. Paulo

16 de janeiro de 2015 | 18h33


São Luís - A Fundação José Sarney, hoje batizada de Fundação da Memória Republicana, fechou suas portas nesta sexta-feira, 16, após exoneração dos 48 servidores comissionados que trabalhavam no local. No dia 2 de janeiro, o governador Flávio Dino (PC do B) assinou um decreto exonerando todos os ocupantes dos cargos comissionados no Estado. 

A presidente da instituição, Anna Graziela Costa, decidiu então finalizar toda a programação e atividades oferecidas pela fundação.A ex-chefe da Casa Civil no governo de Roseana Sarney declarou que não tem como manter a estrutura do local em funcionamento sem funcionários. "Após a exoneração dos servidores, encaminhei ao governador um ofício, solicitando uma resposta à atual situação, mas nunca fui respondida", disse. O secretário de Articulação Política, Márcio Jerry (PC do B), por sua vez, contestou apenas que "a Fundação José Sarney não é preocupação prioritária do governo". O museu é um órgão ligado à secretaria de Estado de Cultura.

O secretário acusou a fundação de servir a fins privados. "Solicitamos um estudo para saber a que se destinam os recursos públicos dentro do museu. Uma instituição pública não pode se prestar a atender interesses privados. A proposta também trata de explicar porquê um museu destinado a guardar a memória de todos os ex-presidentes guarda somente a memória de um (José Sarney)", destacou. A presidente da fundação reage. "Não há culto à personalidade de Sarney, o que contamos para o Brasil e o Maranhão é uma parte da história da República. Só existe uma sala em toda nossa estrutura com o acervo do José Sarney", sustentou.


A responsável pelo museu disse ainda que a comunidade do Desterro, bairro histórico e decadente da capital, "está triste" com o fechamento da instituição, pois lá eram desenvolvidos trabalhos sociais e culturais, que envolviam a comunidade. Segundo Anna Graziela, entre 2011 e 2014, 70.450 pessoas visitaram o espaço. "Estão achincalhando o nosso trabalho. Lamento pela cultura, educação e turismo do nosso Estado", completa Anna Graziela, que ainda informa está repassando para o governo do Estado a responsabilidade sobre a guarda e manutenção do prédio, uma vez que o contrato com a empresa de vigilância privada foi suspenso.

A fundação foi criada pelo próprio Sarney - adversário político de Dino - para guardar documentos, homenagens e presentes recebidos no período em que ocupou o Palácio do Planalto (1985-1990). Institutos criados por outros ex-presidentes, como Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardozo, são mantidos com doações privadas. Segundo dados da Secretaria de Planejamento do Maranhão, os museu custou aos cofres públicos R$ 8,1 milhões entre 2012 e 2014. O dinheiro inclui despesas com salários, serviços de manutenção e investimentos.


A estatização da Fundação Sarney ocorreu em 2011 por iniciativa da então governadora Roseana Sarney (PMDB), filha do ex-presidente. A medida foi aprovada pela Assembleia Legislativa, após projeto do governo enviado em regime de urgência.

O nome da instituição passou a ser Fundação da Memória Republicana Brasileira. O imóvel, onde está instalada a Fundação da Memória Republicana, era o antigo Convento das Mercês, construído no século XVII, sob a supervisão de Padre Antônio Vieira.

Em resposta às críticas da gestão Flávio Dino, Sarney comparou o adversário ao ditador soviético Josef Stalin. "Nunca fiz nenhuma promoção pessoal minha ali . O Stalin é que mandou refazer a enciclopédia russa, retirando o nome dos que não apoiavam o regime e a ele mesmo; exemplo maior, Trotsky", disse Sarney em nota enviada ao Estado./COLABOROU FÁBIO BRANDT

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