Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Após conversa com Lula, Sibá diz que 'cheiro do povo ficou distante' das manifestações

Segundo o líder do PT na Câmara, ex-presidente concluiu que o povo não participou dos protestos deste domingo; sobre o julgamento do impeachment no STF, petistas defenderam rito 'formal e claro'

Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2015 | 21h44

BRASÍLIA - O líder do PT na Câmara dos Deputados, Sibá Machado (AC), revelou nesta segunda-feira, 14, que antes da reunião com a bancada em Brasília nesta noite, esteve com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em São Paulo para avaliar as manifestações de ontem à favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Segundo Sibá, o ex-presidente concluiu na conversa que o povo não participou dos protestos deste domingo. "O que nos chamou a atenção foi a qualidade dos manifestantes. O cheiro do povo ficou distante", disse Sibá.

Na conversa com Lula, Sibá disse que também foi debatido o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) do rito do impeachment no Congresso Nacional. Os petistas defenderam que haja um rito "formal e claro" para o processo de impeachment, já que não há uma regra posta. "Não pode ser o regimento da Câmara a preencher as lacunas", defendeu Sibá.

Após um pouco mais de uma hora de reunião com o presidente da sigla, Rui Falcão, parlamentares deixaram o encontro dizendo que vão se dividir na próxima quarta-feira, 16, entre as manifestações pró-governo Dilma Rousseff e a sessão do STF. Deputados e senadores também fizeram uma avaliação sobre o julgamento que definirá o rito do impeachment.

Na avaliação dos petistas, a população em geral "não está concordando com o que está acontecendo". Segundo o advogado e deputado Wadih Damous (RJ), o processo em curso tem fragilidades em sua argumentação jurídica, uma vez que, na visão do PT, a presidente não teria cometido crime de responsabilidade fiscal. O discurso dos parlamentares é de que o processo de impeachment é um golpe orquestrado pela oposição, que teve de se "sustentar" na argumentação jurídica do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). "Não é um mero julgamento de funcionário público", pregou Damous.

Os deputados e senadores saíram confiantes de que o STF atenderá o pedido para a criação de um rito "seguro", sem "atropelos" e "injustiças". "Temos certeza que seremos atendidos", destacou Damous. A confiança dos petistas é que o Senado apazigue o processo. "Senado não é carimbador de ação da câmara", afirmou Damous.

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) acredita que o afastamento de Dilma só poderá acontecer após votação do plenário do Senado. Ele avalia que o ambiente entre os senadores é mais favorável à Dilma e que o STF reafirmará o rito seguido em 1992, no afastamento de Fernando Collor. "Tenho convicção de que o STF vai confirmar o rito de Fernando Collor", disse.

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