Marcos Arcoverde
Marcos Arcoverde

Após confusão, Bolsonaro deve ser processado por quebra de decoro

Deputado disse que foi impedido de entrar no prédio pelo senador João Capiberibe e ironizou o PSOL, lembrando do escândalo envolvendo a deputada Janira Rocha (PSOL-RJ)

Mateus Coutinho, O Estado de S. Paulo

23 de setembro de 2013 | 17h03

O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) deve ser alvo de ações na Câmara dos Deputados e no Senado Federal por quebra de decoro parlamentar durante visita à antiga sede do DOI-Codi, na manhã desta segunda-feira, 23. Em nota, tanto o PSOL, do senador Randolfe Rodrigues, quanto a Comissão de Direitos Humanos do Senado, por meio da presidente Ana Rita (PT-ES), afirmaram que vão representar contra o deputado.

Bolsonaro é acusado de ter agredido Randolfe Rodrigues e impedido a realização de uma missão oficial da Subcomissão da Verdade, Memória e Justiça,do Senado Federal. O deputado, contudo, negou a agressão de disse que foi impedido de entrar no prédio do DOI-Codi pelo senador João Capiberibe (PSB-AP). "Foi uma confusão, mas não foi provocada por mim, ele que tentou me barrar. Por que não posso entrar no quartel? Sou um deputado federal!", retrucou.

O incidente envolvendo os parlamentares aconteceu quando uma comitiva da Comissão da Verdade visitava a antiga sede do DOI-Codi, onde hoje funciona o 1º Batalhão de Polícia do Exército, na zona norte do Rio de Janeiro. O tumulto aconteceu no portão de entrada do prédio, com direito a gritos e empurrões entre Bolsonaro, Randolfe e o senador João Capiberibe (PSB-AP).

Em nota divulgada na tarde desta segunda, o PSOL acusa Bolsonaro de dar um soco no estômago de Randolfe. Com a agressão, o líder do partido na Câmara, Ivan Valente (SP), anunciou que dará entrada a uma representação contra o deputado do PP. "Ele usou de violência contra um senador. O Bolsonaro, mais uma vez, extrapola todos os limites", afirmou Valente.

A Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal, por meio da presidente, senadora Ana Rita (PT-ES), também vai representar contra Jair Bolsonaro, por quebra de decoro parlamentar. A argumentação é que o deputado do PR do Rio de Janeiro tentou impedir a realização de uma missão oficial feita pela Subcomissão da Verdade, Memória e Justiça, criada no âmbito do Senado Federal.

Perguntando sobre as representações, Bolsonaro ironizou e criticou o PSOL pela denúncia de desvio de recursos envolvendo a deputada estadual Janira Rocha, do Rio de Janeiro. "Vou ficar sem dormir até o carnaval do ano que vem, que moral tem o PSOL pra entrar com qualquer representação que seja?", comentou ele lembrando que já foi alvo de inúmeras representações de homofobia e racismo.

"Eles deviam é representar contra eles mesmos, porque estavam nos documentos da Janira, que usou recursos de sindicato para fazer boca de urna para eles [se referindo a aos senadores do PSOL]".

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