Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Após condenação de Lula, petistas fazem reunião de emergência na sede do partido em SP

Muitos militantes chegaram a chorar depois do resultado unânime na tarde desta quarta-feira, 24

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

24 Janeiro 2018 | 18h36

A decisão do Tribunal Regional Federal da 4. Região (TRF-4) que condenou por unanimidade o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez o PT convocar uma reunião de emergência com alguns dirigentes, na sede do partido, em São Paulo. O PT vai registrar a candidatura de Lula à Presidência em 15 de agosto no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e tentar reverter a decisão que o tornou inelegível pela lei da Ficha Limpa, embora, nos bastidores, já considere remota a possibilidade de mudar esse quadro.

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Assim que o voto do desembargador João Pedro Gebran Neto, relator do processo, foi lido, alguns petistas que estavam reunidos com Lula, na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, caíram no choro. "Muita gente se emocionou", contou o senador Humberto Costa (PT-PE). "Mas vamos até as últimas consequências com o nome de Lula. Se houver impugnação, isso deve acontecer por volta de setembro."

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O ex-governador da Bahia Jaques Wagner, um dos cotados para ser o Plano B do PT, foi dar um abraço em Lula no sindicato, em São Bernardo. Disse, porém, que não está nesse páreo. O outro nome citado é o do ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.

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"Recebemos com muita perplexidade esse resultado", afirmou o senador Jorge Viana (AC). "Fico chocado de ver essa caçada contra Lula. Não é possível que um tribunal tenha se partidarizado dessa forma." Para o prefeito de Araraquara, Edinho Silva, Lula é o único nome capaz de "pacificar" o País. "Se tem uma liderança capaz de estar à frente da pacificação política no Brasil, de dar estabilidade às instituições e garantias à economia é Lula."

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"Vou recomeçar". Eram 10h08 quando Lula chegou ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, vestido com uma camiseta vermelha, para acompanhar em um telão o julgamento do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF) que pode torná-lo inelegível. "Comecei aqui e aqui vou recomeçar", disse Lula, ao receber a solidariedade dos petistas.

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O ex-presidente até  pediu votos para a disputa ao Palácio do Planalto. "Você vota em mim, Devanir?", perguntou ele ao ex-deputado Devanir Ribeiro, que foi diretor do sindicato na época em que Lula comandava a entidade . Um coro do jingle "Lula lá", que marcou as campanhas do petista, foi improvisado pela turma, muitos de cabelos brancos. "A gente está meio velho, cansado e até um pouco desafinado, mas continua confiante", afirmou Devanir. "Estamos juntos", afirmou o ex-presidente.

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Lula acompanhou parte do julgamento em uma sala reservada, no segundo andar do sindicato, com antigos companheiros de jornada. Os militantes se concentram no auditório, um andar acima, coberto de paredes com fotos de assembleias de metalúrgicos. "Quem abandona a luta não poderá nunca saborear o gosto de uma vitória", diz uma das inscrições sobre uma imagem de época.

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Ele escolheu o sindicato que presidiu de 1975 a 1981 pelo simbolismo. Foi ali que iniciou sua trajetória política e comandou as principais greves de metalúrgicos nos anos 1980, desafiando o regime militar. "Éramos um bando de desaforados", disse Lula, quando já ocupava o Palácio do Planalto, ao se recordar daquela época.

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Em abril de 1980, Lula foi preso durante 31 dias e enquadrado na Lei de Segurança Nacional pelo regime militar. Ao sair, a primeira coisa que fez foi soltar um passarinho da gaiola. Ainda em 1980, fundou o PT. Em depoimento à Comissão da Verdade, após já ter deixado a Presidência da República, Lula disse que os militares cometeram uma "burrice" ao prendê-lo. "O que aconteceu depois que eles me prenderam? Foi uma motivação a mais para a greve continuar. Depois, foi aquele 1.° de Maio histórico", afirmou. Em 1981, o petista chegou a ser condenado pela Justiça Militar a três anos e seis meses de prisão. Não chegou, porém, a ir para a cadeia. Recorreu em liberdade e, em maio de 1982, o processo foi anulado pelo Superior Tribunal Militar.

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