Após batida em comitiva de Lobão, governo e PMDB foram avisados

Após batida em comitiva de Lobão, governo e PMDB foram avisados

A ação visava apurar uma denúncia anônima de caixa dois de campanha do candidato ao governo do Maranhão e aliado de José Sarney

Ricardo Brito, O Estado de S. Paulo

25 de setembro de 2014 | 19h16


Integrantes da cúpula do governo Dilma Rousseff e do PMDB começaram a ser avisados desde o início da manhã desta quinta-feira (25) da batida que a Polícia Federal fez à comitiva do candidato do PMDB ao governo do Maranhão, o senador Edison Lobão Filho (PMDB), no início da madrugada desta quinta-feira, em Imperatriz, no interior do Estado. A ação, que visava apurar uma denúncia anônima de caixa dois de campanha, desencadeou uma crise da cúpula do governo com os peemedebistas. Lobão Filho é aliado do ex-presidente e senador José Sarney (PMDB-AP).

Em entrevista ao Broadcast Político, Lobão Filho relatou ter conversado desde cedo por telefone com o vice-presidente da República e presidente do PMDB, Michel Temer, com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e com a ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Ideli Salvatti, sobre a ação da PF. Ele disse ainda que seu pai, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB), falou com o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, sobre a ação. Mercadante, segundo relatos, mostrou-se indignado com a batida.

O candidato afirmou que, por volta da meia-noite e meia de quinta-feira, uma equipe comandada pelo delegado regional da PF em Imperatriz, Paulo de Tarso Cruz Vianna Junior, apareceu no hangar onde o avião da campanha fazia um reabastecimento a fim de retornar à capital, São Luís. No momento da ação, ele disse que estava numa sala contígua jantando na companhia do candidato ao Senado pelo PMDB, o ex-ministro do Turismo e deputado federal Gastão Vieira.

Lobão Filho relatou que o delegado e outros nove agentes da PF, com armas de fogo em punho, revistaram o avião da campanha, um bimotor, o piloto e o copiloto e todos os carros da comitiva e que estavam no estacionamento. Após não terem encontrado nada, segundo o senador, a equipe dirigiu-se ao local onde ele estava. Assim que entraram, o peemedebista disse que um segurança da campanha, que é policial militar, também sacou a arma diante da presença da equipe com armas em mãos.

O senador afirmou que foi aí que o delegado anunciou se tratar de uma ação da PF, a partir de uma denúncia de que havia recursos não declarados dentro do avião. Lobão Filho disse ter questionado quem foi o autor da acusação e o delegado, que não tinha, segundo o candidato, um mandado judicial em mãos, somente declarou que era um policial civil, mas não declinou o nome e logo em seguida foi embora com a equipe.

Lobão Filho e sua equipe retornaram para São Luís e começaram a procurar autoridades em busca de explicações. Acionaram autoridades no Estado e nacionais. Michel Temer e Renan Calheiros divulgaram notas na tarde desta quinta-feira em que repudiaram a ação da PF, classificando-a de "intimidatória".

O peemedebista também decidiu apresentar seis medidas judiciais e administrativas, entre elas um requerimento para que a PF explique as razões da abordagem. O candidato disse que a ação tinha por objetivo prejudicar sua campanha na reta final do primeiro turno, uma vez que, segundo ele, pesquisas o apontavam em empate técnico na disputa contra o candidato do PCdoB, Flávio Dino.

"A Polícia Federal não pode ser utilizada num instrumento eleitoral para uma campanha. Foi um constrangimento, a Polícia Federal não é para isso", criticou. Ele, contudo, isentou ao menos por ora a cúpula da instituição de participação no episódio. "Me custa crer que a cúpula da PF tenha participado disso", completou.

Mesmo sem qualquer indício de envolvimento, apoiadores de Lobão Filho acusam, nos bastidores, o secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão, de ter envolvimento na batida. Isso porque, horas antes, ele apareceu em uma mensagem de apoio a Flávio Dino que foi ao ar no horário eleitoral da TV. Dizem também que o delegado responsável pela ação é filho de Paulo Cruz Viana, ex-prefeito de uma cidade do interior chamada Sítio Novo do Maranhão, que apoia a candidatura ao governo do candidato do PCdoB. 

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