Brazil Photo Press
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Após autocrítica, governo continuará avaliando manifestações e não entrará em 'luta política'

Ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha disse que o Planalto equivocou-se em algumas análises no início, mas que entende atos, e afirmou que está disposto a dialogar com quem apresente pautas propositivas

Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2016 | 16h38

BRASÍLIA - Depois de reconhecer que o governo Michel Temer errou ao tentar minimizar os protestos, auxiliares do presidente admitem que há uma atenção especial à realização das manifestações do país e agora estudam uma forma de tentar dialogar com os movimentos para mitigar os efeitos negativos dos atos. 

Em ato programado para ocorrer em Brasília durante a votação do processo de cassação do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), na próxima segunda-feira (12), os manifestantes pedirão também a saída de Michel Temer da Presidência da República.

O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, disse ao Broadcast Político que o governo equivocou-se em algumas avaliações no início, mas que entende as manifestações, que qualquer ato de protesto tem que ser respeitado por ser democrático, e que o governo está disposto a dialogar com quem apresente pautas propositivas. "Não há democracia sem que as pessoas possam externar as suas opiniões", afirmou. 

Padilha disse ainda que o governo não tem que interferir em brigas políticas e que rebater o discurso de manifestantes ligados a partidos não é papel do governo. "O governo tem que separar a luta política, aqueles que vão às ruas pedir fora Temer com intenções eleitorais. Isso é uma discussão para ser feita pelos partidos", afirmou. 

Segundo o ministro da Casa Civil, o governo vai avaliar e analisar as demandas que surgirem nas ruas e, caso seja apresentada uma pauta de reivindicações, está disposto a dialogar. "A exemplo do que fizemos com o movimento dos sem terra essa semana, que conversamos e chegamos a um entendimento, vamos fazer com quem discutir ideias. É assim que se governa", completou. 

Na véspera do primeiro evento externo do presidente Michel Temer, no dia 7 de setembro, em Brasília, e com a ameaça crescente de manifestações em todo o País, o governo buscou aproximação com os movimentos sociais ligados, principalmente, à questão da terra. Depois de os grupos invadirem a sede do Ministério do Planejamento e o INCRA, o governo abriu as portas do Planalto e recebeu, dois dias seguidos, para reuniões, os representantes destes movimentos, que apresentaram uma pauta de reivindicações.

Apesar disso, na festividade do dia sete, o governo foi alvo de uma manifestação organizada por movimentos sociais, militantes e estudantes universitários. Enquanto Temer e outras autoridades do Executivo acompanhavam o desfile oficial numa área isolada, cerca de 2,7 mil pessoas cruzaram a Esplanada dos Ministérios para protestar contra o novo governo, segundo cálculo da Polícia Militar do Distrito Federal. Na conta dos organizadores, o público chegou a 5 mil manifestantes.

Discurso anterior. Após o encerramento do desfile, ministros minimizaram as vaias que partiram de convidados de funcionários do Palácio do Planalto. Na ocasião, Padilha questionou o número de pessoas que protestaram: "Quinze, 30 pessoas? Não havia mais de 18 manifestantes". Além de vaias, também foram ouvidos gritos de "Fora, Temer" e "golpista" nas arquibancadas. "A democracia pressupõe liberdade de manifestação e, em um contingente desse, dezenas de pessoas se manifestarem é da normalidade", disse.

Geddel Vieira Lima, da Secretaria de Governo, afirmou que houve mais aplausos que vaias. O secretário do Programa de Parcerias de Investimentos, Moreira Franco, disse que, segundo o grupo de inteligência do Planalto, os protestos vieram de funcionários da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). "Os protestos são normais. Continuamos trabalhando para pacificar o País." O ministro Raul Jungmann (Defesa) considerou "normal" que existam vozes discordantes, "desde que ajam respeitando a lei".

Um pouco antes do 7 de setembro, Moreira Franco, entretanto, já havia assumido à Coluna do Estadão, que houve erro na condução do processo de impeachment. Em especial, ao não rebater o discurso de que houve golpe, repetido à exaustão pelo PT. "Fomos soberbos. Não foi falta de comunicação, foi falta de combate político. Deixamos prosperar ", disse.

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