Após ataque a plantação, MST abandona fazenda da Cutrale

Ação foi criticada por congressitas e membros do governo, como ministro da agricultura e o presidente do Incra

estadao.com.br,

07 Outubro 2009 | 14h25

Cerca de 250 famílias do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) que ocupavam uma fazenda de laranja da Cutrale, no interior de São Paulo, abandonaram a propriedade nesta quarta-feira, 7, em meio a fortes críticas de setores políticos. A empresa é considerada a maior exportadora de suco de laranja do mundo.

 

Na segunda-feira, os manifestantes destruíram cerca de 7 mil pés de laranja e, na terça, dois supostos sem-terra foram presos na região de Bauru com ferramentas e uniformes que teriam sido furtados da fazenda.

 

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A retirada dos militantes do MST foi vigiada por cerca de 100 policiais e cumpre com a ordem judicial que os camponeses se negavam a acatar até esta quarta-feira.

 

O MST justificou a ação alegando que as terras seriam griladas. A Justiça analisa desde 2006 o status da propriedade.

 

Em nota confirmando a retirada, o MST afirma que os manifestantes devem seguir agora para o acampamento Rosa Luxemburgo, próximo ao local da fazenda.

 

A ocupação foi condenada por todos os setores da sociedade, incluindo vários porta-vozes do governo Lula.

 

Um dos primeiros a criticar a ocupação foi o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackbart, que afirmou que "esse tipo de ação não contribui para uma solução dos conflitos de terras nem com o avanço da reforma agrária".

 

Segundo Hackbart, "a ocupação lançou todas as forças da sociedade contra a reforma agrária e o MST", ao qual, segundo ele, "faltou bom senso", pois "no Brasil há leis, regras e instituições que funcionam" e que decidirão sobre a titularidade das terras invadidas.

 

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, também condenou a ocupação, e a considerou "um caso de polícia intolerável" e assegurou que "o governo tomará as medidas necessárias" para impedir novas ações parecidas.

 

A ocupação também foi criticada por membros da base aliada, como o senador Eduardo Suplicy (PT-SP). "Assim como não apoio as ações violentas contra os ativistas do MST, também não respaldo a violência dos camponeses contra as pessoas, plantações ou empresas", disse o congressista.

 

O MST, por sua vez, divulgou declarações de uma das coordenadoras estaduais do movimento.

 

"Conseguimos denunciar que a Cutrale esconde embaixo de um laranjal a grilagem de terras. Vamos continuar a luta para que a lei seja cumprida e a área seja destinada para a Reforma Agrária. O governo e a justiça precisam cumprir o seu papel e retomar essa área, que é um patrimônio do país e que não pode ser utilizada para o benefício privado", afirmou Márcia Merisse, em nota divulgada pelo movimento.

 

Com informações da Efe

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