Após apoio a Chinaglia, PSDB entra em crise

Aumentou o racha no PSDB por causa do apoio de parte da bancada que, sob o comando do líder do partido na Câmara, Jutahy Júnior (BA), decidiu apoiar a candidatura do petista Arlindo Chinaglia (SP) para a presidência da Câmara. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso considerou precipitada a decisão e aconselhou um recuo da bancada. O líder do partido no Senado, Arthur Virgílio Neto (AM), anunciou que pedirá uma reunião de emergência da Executiva Nacional tucana para tratar da questão. "Ainda há tempo para as lideranças pensarem na opinião pública e nos milhões de brasileiros que esperam do PSDB uma posição construtiva, mas oposicionista, para que possamos manter a esperança de dias melhores", disse o ex-presidente Fernando Henrique, em nota. Por ter avisado que havia conversado com Aldo Rebelo, e até anunciado que o PSDB o apoiaria, Fernando Henrique disse que se surpreendeu com a decisão tomada pela bancada de seu partido na Câmara "sem discussão política mais profunda sobre as implicações e conseqüências do gesto". Líder no SenadoJá o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio, afirmou que o apoio à candidatura de Chinaglia à presidência da Câmara dos Deputados, "por suas implicações políticas, transcende o âmbito das decisões da liderança naquela Casa". Disse que não quer se intrometer em assuntos internos da Câmara, mas entende que se trata de questão maior, a ser amplamente discutida pela direção nacional do partido. Sugeriu que todos sejam ouvidos, a começar pelo Presidente de Honra, Fernando Henrique Cardoso. "O deputado Chinaglia, como pessoa, poderia ter tranqüilamente o apoio do PSDB. Mas, hoje, infelizmente, a sua candidatura representa precisamente tudo aquilo contra o que votaram os nossos 40 milhões de eleitores: a reintrodução de Ricardo Berzoini no comando do PT, a futura anistia de José Dirceu, a absolvição dos ´aloprados´, a negação do mensalão, a absolvição dos sanguessugas", disse Arthur Virgílio. "Com isso, não podemos concordar. Se fosse deputado, votaria em Aldo Rebelo, com uma única exigência - a de pôr a instituição acima de tudo. E a quem quer que seja candidato, faço a advertência para não se levar avante proposta de aumento da remuneração parlamentar em nível incompatível com a realidade econômica, social e política do País", afirmou o líder do PSDB no Senado.Do lado dos que apóiam Chinaglia, o deputado Walter Feldman (SP) afirmou que a decisão da bancada tucana foi a mais acertada. "Vamos respeitar a proporcionalidade dos partidos na Câmara, exatamente como pregava o ex-governador Mário Covas. Com isso, vamos fortalecer o Parlamento. E recebi de Chinaglia a garantia de que todas as decisões da Mesa serão decididas de forma colegiada", afirmou Feldman. Os deputados contrários à adesão à candidatura de Arlindo Chinaglia (PT-SP) esperam a chegada do presidente do PSDB, Tasso Jereissati, de férias na Europa, para discutir se o apoio será mantido ou não. PPSPara o presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire (PE), o apoio da bancada tucana a Chinaglia é "completamente inexplicável, pois representa a absolvição de todos os ´mensaleiros´" e "fere de morte" a candidatura do deputado Aldo Rebelo à reeleição, de acordo com nota divulgada nesta sexta-feira no portal do PPS na internet.Com Agência Estado

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