Após ameaça da PF, governo quer projeto para limitar greve

O governo está fechando uma proposta, a ser enviada em breve ao Congresso, restringindo o direito de greve dos servidores em setores essenciais. A medida, anunciada pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, já foi confirmada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.As restrições devem alcançar setores básicos, como saúde, educação e previdência, mas, em época de crise aguda na segurança pública, as instituições policiais estão na mira do governo. Lula lembrou que ninguém melhor do que ele, um ?metalúrgico? e ?ex-sindicalista?, para discutir restrições contra paralisações abusivas, que acabam afetando a população mais pobre. ?Cada um de nós paga o preço pelos exageros que cometemos?, afirmou na ocasião. Encarregado de propor o texto, o ministro Paulo Bernardo, por sua vez, lembrou que é urgente regulamentar o direito de greve no setor público. ?Muitos acham que podem tudo, vamos impor limites?, disse. Fracasso nas negociaçõesFracassou a tentativa do ministro da Justiça, Tarso Genro, de evitar a greve de advertência da Polícia Federal: a categoria vai cruzar os braços amanhã, por 24 horas, em todo o País, em defesa de um aumento salarial de 30% e da reestruturação da carreira. O movimento inclui operação-padrão em aeroportos, como o de Brasília e os de Congonhas e Cumbica, em São Paulo, agravando ainda mais o caos no setor aéreo. A categoria ameaça com uma greve geral se o governo não atender a suas reivindicações.Esta é a segunda greve de advertência em um mês e serão afetados os serviços de investigação, os mandados de prisão, expedição de passaportes, registro de estrangeiros, autorizações para empresas de segurança privada e outros. O efetivo que atua na alfândega em auxílio à Receita Federal também será reduzido e a previsão é de que haverá atrasos e filas nas decolagens e chegadas dos vôos internacionais. Serão mantidos apenas plantões nas carceragens, além de equipes para prisões e ações de emergência e de proteção patrimonial. Num gesto que demonstra a preocupação do governo com a paralisação da PF, Tarso foi ao encontro da categoria, na sede de sua principal entidade representativa, a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef). Ele conversou por mais de uma hora com os líderes do movimento, mas, como não autorizou o reajuste imediato, saiu sem um acordo. ?Louvamos o ato democrático do ministro e seu interesse em nos ouvir, mas a greve está de pé até que o governo cumpra o acordo assinado desde o ano passado e pague o reajuste de 30%?, disse o presidente da entidade, Marcos Vinícius Wink. Os delegados e demais policiais federais mantiveram a decisão de paralisação das atividades por 24 horas, nesta quarta-feira, 28, em todo o País em protesto ao descumprimento por parte do governo federal do acordo firmado de recomposição salarial. A data coincide com o aniversário do Departamento de Polícia Federal, que completará 64 anos de criação. Participarão do ato policiais federais dos 26 estados e do Distrito Federal. As revistas nos aeroportos por parte da Polícia Federal deverá ser comprometida, segundo alertam, e novas filas, com atrasos de vôos, devem ocorrer. Também fica prejudicada a emissão de passaporte. Negociações devem ocorrer com o governo ainda nesta terça-feira, 27.

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