Após alerta, Mendes ordena varredura nos telefones do STF

Desembargadora teria avisado presidente do STF de que uma conversa sua sobre a Satiagraha estaria monitorada

Felipe Recondo, de O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2008 | 14h08

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, ordenou uma varredura nos telefones do STF para identificar suposta existência de grampos telefônicos. A determinação foi depois de Mendes ter sido alertado por uma desembargadora de São Paulo de que estaria sendo monitorado e que havia trechos de suas conversas com assessores em que falava mal do juiz Fausto Martin De Sanctis, que determinou a prisão preventiva do sócio-fundador do banco Opportunity, Daniel Dantas e de outros investigados na operação Satiagraha.   A varredura dos telefones do Supremo é um procedimento de rotina. Mas, de acordo com assessores do STF a partir de agora passará a ser feita com maior freqüência.   Veja também: PF não monitorou gabinete de presidente do STF, diz Tarso STF manda soltar Celso Pitta, Naji Nahas e mais nove Dantas ofereceu suborno de US$ 1 milhão para escapar da prisão, diz MP Leia a íntegra da decisão do STF que manda soltar Dantas  STF manda soltar Daniel Dantas e mais 10 presos da Satiagraha Beneficiado por habeas-corpus, Daniel Dantas deixa sede da PF Opine sobre a decisão do STF de soltar Dantas  Você concorda: não há mais intocáveis no País  Lula defende ação da PF e não comenta decisão de soltar Dantas Dirceu condena 'espetacularização' da PF Entenda como funcionava o esquema criminoso  Veja as principais operações da PF desde 2003  Entenda o nome da Operação Satiagraha, que prendeu Dantas   Na quinta-feira, depois de ser alertado pela desembargadora, Gilmar Mendes telefonou para o ministro da Justiça, Tarso Genro, para cobrar providências. Tarso  negou que Mendes estivesse sendo monitorado pela Polícia Federal. No final do dia, o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Correa, foi pessoalmente ao gabinete de Gilmar Mendes para negar a existência de qualquer investigação contra o presidente do STF.   O ministro da Justiça considerou absurda a suspeita de que a PF monitorou o gabinete de Mendes conforme nota publicada nesta sexta-feira, 11, na coluna Painel, do jornal Folha de S. Paulo. Para Tarso, essa é mais uma informação que procura semear a discórdia entre o STF e a PF. "Tudo isso não passa de fofoca", afirmou o ministro da Justiça à rádio CBN. E acrescentou que pedirá a abertura de uma sindicância para apurar os fatos. Mendes foi quem determinou a soltura do banqueiro do Opportunity, Daniel Dantas, na última quarta.   Tarso negou ainda que PF tenha fitas de vídeo gravadas no gabinete de Mendes com imagens de advogados de Dantas, e assessores do presidente do Supremo. O ministro diz que ligou para o juiz Fausto Martins de Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, que negou a acusação. Em seguida, Tarso diz que falou com Gilmar Mendes para informá-lo da negativa.

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