ANDRE DUSEK/AE
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Após afastamento determinado pelo STF, bancada do PT prega nulidade dos atos de Cunha

Nota assinada pelo líder Afonso Florence diz que o peemedebista usou a influência do cargo para intimidar parlamentares e dificultar e retardar investigações contra ele

Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2016 | 16h13

BRASÍLIA - Em nota divulgada na tarde desta sexta-feira, 6, a bancada do PT comemorou o afastamento de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da presidência da Câmara dos Deputados, mas lembrou que seu destino final depende ainda do andamento do processo por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética. Os petistas voltaram a repetir que o afastamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) se deu pelo constrangimento de parlamentares e que, portanto, os atos praticados por Cunha - entre eles a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff - são passíveis de nulidade.

A nota assinada pelo líder Afonso Florence (BA) diz que Cunha usou a influência do cargo para intimidar parlamentares e dificultar e retardar investigações contra ele. "Diante disso, evidencia-se a nulidade dos atos praticados pelo ex-presidente da Câmara: está agora reconhecido pelo STF que a própria denúncia do PSDB foi recebida como retaliação à decisão da Bancada do PT na Câmara dos Deputados, que votou pela admissibilidade da Representação contra ele no Conselho de Ética, e também como meio de desviar a atenção da opinião pública sobre os crimes por ele cometidos", aponta o texto.

Desde a votação do pedido de impeachment de Dilma na Câmara, os deputados do PT reforçaram os discursos em plenário contra o peemedebista. O PT se aliou ao PC do B, PSOL e Rede para atacar Cunha durante as votações, que por sua vez, ignorava as declarações no microfone. 

Veja a íntegra da nota:

"O Supremo Tribunal Federal decidiu ontem, por unanimidade, suspender o mandato de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e destituí-lo da presidência da Câmara dos Deputados.

O destino final do mandato de Eduardo Cunha dependerá agora do resultado do processo em análise pelo Conselho de Ética da Câmara e, em última instância, da deliberação do Plenário da Casa. O Conselho, nos últimos tempos tem sido alvo de ataques e manipulações por parte de Cunha, na tentativa de salvar-se da cassação. É público e notório que não há mais ambiente político para que o Conselho de Ética postergue a decisão sobre as gravíssimas acusações que pesam sobre Cunha e que devem implicar na perda definitiva do seu mandato.

O pedido do Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, para o afastamento de Cunha - finalmente acatado ontem pelo STF - lista onze pontos que mostram como o peemedebista utilizava o mandato de forma irregular, agindo em desvio de finalidade e com abuso de poder, objetivando livrar-se das consequências dos crimes por ele cometidos.

Tais fatos comprovam que Cunha constrangeu e intimidou parlamentares, réus colaboradores, advogados e agentes públicos, além de usar a influência decorrente do cargo que ocupava para dificultar e retardar as investigações contra si.

Diante disso, evidencia-se a nulidade dos atos praticados pelo ex-presidente da Câmara: está agora reconhecido pelo STF que a própria denúncia do PSDB foi recebida como retaliação à decisão da Bancada do PT na Câmara dos Deputados, que votou pela admissibilidade da Representação contra ele no Conselho de Ética, e também como meio de desviar a atenção da opinião pública sobre os crimes por ele cometidos.

Brasília, 6 de maio de 2016

Afonso Florence (BA), líder da Bancada do PT na Câmara"

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