Após adiar ida de Dilma, governo quer evitar questões do dossiê

Com blindagem da ministra, governo ganha tempo e prepara argumentação dos líderes para evitar pressões

Marcelo Moraes, de O Estado de S. Paulo,

14 de abril de 2008 | 21h15

O governo foi bem-sucedido nesta segunda-feira, 14, na estratégia de blindagem da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, ao conseguir adiar para depois do dia 29 de abril a participação da ministra nos debates da Comissão de Infra-estrutura. Dilma enviou comunicado ao líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), alegando problemas de agenda mas ratifica interesse em conversar com os parlamentares da comissão sobre assuntos ligados à execução do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O Planalto aposta que o adiamento esfria a pressão sobre Dilma. Ao mesmo tempo, ganha tempo e prepara a argumentação dos líderes para evitar qualquer tipo de pressão ou de pergunta sobre a elaboração e posterior divulgação de um dossiê contendo informações sigilosas sobre os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e sua mulher Ruth.  Veja também:PF pode recolher outros computadores da Casa CivilVazamento de dossiê contra FHC abre guerra dentro da Casa CivilDossiê FHC: o que dizem governo e oposiçãoPF pede a governo dados sobre segurança da Casa CivilPF abre inquérito para apurar vazamento de dados de FHCDossiê com dados do ex-presidente FHC  Entenda a crise dos cartões corporativos  "A ministra irá à Comissão, mas a nossa estratégia é evitar qualquer tipo de pergunta sobre dossiê", disse uma fonte do governo. As situações adversas serão respondidas com argumentação de que o tema da Comissão não é a discussão de cartões corporativos. Desde o ano passado, Dilma é esperada na comissão de Infra-estrutura para prestar esclarecimentos sobre os programas do PAC. Alegando problemas de agenda, a ministra há mais de um ano dribla o convite, que foi reapresentado semana passada com o apoio da oposição, que tenta arrastar a ministra para o Congresso para pressioná-la a falar do dossiê.  A expectativa da comissão era ouvir Dilma nesta quarta-feira. O adiamento para depois do dia 29 foi motivado pela agenda internacional da ministra, que na próxima semana viaja para o Japão e Coréia. O líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), disse hoje que o adiamento não vai esfriar as investigações sobre uso irregular dos cartões corporativos e sobre a elaboração do suposto dossiê com os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e família

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