Após acusações, Paulinho da Força se licencia do PDT-SP

Deputado corre risco de ser cassado pela Câmara sob acusação de participar de esquema no BNDES

Denise Madueño, de O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2008 | 13h16

O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força , licenciou-se nesta quarta-feira, 11, da presidência do PDT em são Paulo. Paulinho também afastou-se da executiva nacional do partido. O afastamento de Paulinho desses dois cargos será temporário, enquanto estiverem em curso as investigações envolvendo seu nome sobre supostas irregularidades na liberação de empréstimos do BNDES.   Veja também:  Entenda a operação Santa Tereza  Leia a íntegra do relatório da PF  Grampo da PF liga Paulinho ao caso BNDES   A informação sobre o afastamento de Paulinho consta de nota divulgada  pelo presidente do PDT e líder do partido na Câmara, deputado Vieira da Cunha (RS). De acordo com a nota, decisão teve como objetivo preservar o partido, que tem "o inabalável compromisso com os princípios da moralidade pública e da probidade administrativa".   Na nota, Vieira da Cunha informa que a decisão de afastamento foi tomada de comum acordo entre Paulinho e a direção partidária. Ele destacou que a decisão não significa a condenação do deputado. O PDT afirma ainda, na nota, esperar que o processo de investigação pelo Supremo Tribunal Federal demonstre a não participação do parlamentar. "O que ensejará o recebimento do deputado Paulo Pereira da Silva de volta às funções de dirigente do partido das quais ora se afasta. Vieira da Cunha encerra a nota reafirmando que o partido tem identidade com a ética e o compromisso público de não compactuar com ilicitudes. "O PDT nunca foi, não é e jamais terá lugar para corruptos", diz a nota.   Junto com a nota, o PDT divulgou carta de Paulinho à direção nacional do PDT. Na carta, ele diz estar sendo alvo "de uma implacável, insidiosa e perversa campanha de desmoralização pública, toda baseada em acusações e denúncias falas e manipuladas". Ele nega, na carta, qualquer relação com supostas ações de tráfico de influência para obtenção de empréstimo do BNDES e diz que provará sua inocência. Paulinho diz ainda, na carta divulgada pelo PDT, que com o mandato parlamentar tem liderado lutas vitoriosas em defesa dos trabalhadores. Chegou a se comparar a ex-presidentes.   "Nos anos 50, os conservadores, os inimigos do povo e dos trabalhadores, tentaram manchar a honra do grande Getúlio Vargas, levando-o ao suicídio. Em 1964, golpearam o presidente João Goulart e o grande líder Leonel Brizola, que passou a vida inteira, até a morte, perseguida por essas forças", disse. Agora, continuou, ele é a vítima. "Agora é comigo. Por que? Porque querem tirar o protagonismo do movimento sindical no cenário político nacional. "   Ele conclui a nota comunicando seu licenciamento da presidência estadual do PDT.Ainda na carta, Paulinho disse que agora está sendo vítima.   Texto alterado às 13h30

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