Após acusação, Mares Guia se encontra com procurador nesta 3ª

Ministro teria participado no 'mensalão mineiro', arrecadação de dinheiro para campanha de tucano

FELIPE RECONDO, Agencia Estado

18 Setembro 2007 | 13h02

Apontado pela Polícia Federal como um dos artífices do mensalão mineiro, o ministro de Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, encontra-se nesta terça-feira, 18, às 18 horas, com o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza. Os dois deverão conversar sobre a possibilidade de Antonio Fernando de Souza apresentar denúncia contra Mares Guia ao Supremo Tribunal Federal (STF) por suposta participação no esquema de arrecadação de dinheiro de, 1998 para a campanha de reeleição do então governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo (PSDB), hoje senador.De acordo com relatório da Polícia Federal, o esquema do mensalão mineiro teria arrecadado mais de R$ 100 milhões à custa do desvio de dinheiro público e de estatais. Mares Guia teria sido o responsável por movimentar recursos da campanha de Azeredo, mesmo não sendo formalmente coordenador de campanha. Ele admitiu ter feito empréstimos a Azeredo, mas negou o esquema irregular que envolveu também o empresário mineiro Marcos Valério.A denúncia do Ministério Público deverá ser encaminhada ao Supremo Tribunal Federal na próxima semana ou nos primeiros dias de outubro. A partir daí, os ministros do STF analisarão se acolhem ou não a denúncia. Se for aceita, Walfrido passará a ser réu de um processo penal.  Governo preocupado Há muita apreensão no governo com a possibilidade de o procurador-geral  denunciar Mares Guia. Auxiliares de Lula contam que, ao ser convidado no primeiro governo para ser ministro do Turismo, Mares Guia teria dito ao presidente que era alvo de uma investigação da PF, mas não tinha nenhum envolvimento com o caso, pois fora coordenador da campanha de Azeredo em 1994. Segundo ele, na eleição de 1998, que o tucano perdeu para Itamar Franco, o coordenador da campanha foi Carlos Eloy e o coordenador financeiro, Cláudio Mourão.Mares Guia teria explicado a Lula que, como correligionário e acima de tudo amigo de Azeredo, ajudou-o no segundo turno das eleições de 1998, inclusive com empréstimos pessoais para tapar buracos de campanha. Numa das vezes, segundo o ministro, o dinheiro foi depositado numa conta da SMPB, uma das agências de Marcos Valério, que também apareceu durante todo o escândalo do mensalão. No sábado, logo depois de divulgada reportagem da revista IstoÉ sobre o mensalão mineiro, Mares Guia informou em nota que em 2002, quatro anos após a campanha, Azeredo estava sob ameaça de protesto, por causa de uma dívida de campanha cobrada por Cláudio Mourão. Na nota, o ministro explicou que fez então um empréstimo, em nome da holding Samos Participações (que administra seus bens), "para ajudar o amigo a saldar a dívida", e o dinheiro foi depositado na conta indicada nos papéis levados a ele.

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