Taba Benedicto / Estadão
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Acordo entre PM e manifestantes falha, e Paulista deve ter três atos domingo

Movimentos disseram que vão tentar ações para evitar confronto, como unificar manifestos antirracistas e contra Bolsonaro e fazer caminhada em direção oposta a onde estará grupo pró-governo

Bruno Ribeiro e Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2020 | 19h44
Atualizado 05 de junho de 2020 | 20h06

A Avenida Paulista deve receber três manifestações de rua em um espaço de quatro horas no próximo domingo. Após duas reuniões realizadas nesta sexta-feira, não houve acordo entre Polícia Militar (PM), Ministério Público Estadual (MP), manifestantes que defendem o governo do presidente Jair Bolsonaro, movimentos anti-racistas, representantes de torcidas de futebol e integrantes da Frente Povo Sem Medo, que se opõem ao mandatário.

Apesar de não haver acordo, representantes dos grupos antirracistas e contra Bolsonaro ainda negociam unificar seus atos e tomar medidas para evitar que os grupos se encontrem no domingo, segundo lideranças desses grupos. O movimento negro pretendia fazer um protesto às 10h no Masp, enquanto os torcedores e a Frente Povo sem Medo iriam se reunir no mesmo lugar às 14h. Outra proposta, de acordo com o professor Guilherme Simões, que representou os movimentos populares, é fazer uma caminhada do Masp até a Praça Roosevelt, no centro, evitando, assim, a concentração pró-Bolsonaro, prevista para começar às 11h na Fiesp.

Oficialmente, a PM diz que vai tentar negociar até o último minuto para evitar que grupos antagônicos se reúnam no mesmo lugar no fim de semana. Mas a corporação já prepara um reforço no policiamento na avenida Paulista. No domingo passado, a PM jogou bombas de gás em manifestantes na Paulista após tumultos entre os grupos de torcedores que se declaravam anti-fascistas e a favor da democracia e defensores de Bolsonaro.

"Não teve consenso", disse Simões. "Nosso intuito é fazer um protesto de forma pacífica". Simões afirmou ao Estadão que o ato de que participará terá profissionais da Saúde para garantir que as pessoas mantenham uma distância de um metro e meio entre si, mesmo durante a caminhada, e distribuição de máscaras. 

O ojetivo das reuniões, segundo o secretário da Segurança Pública, João Campos, era chegar a um acordo para que um dos grupos fizesse seu ato no sábado ou, em outra opção, que alterasse o local da reunião, da Avenida Paulista para outro ponto. De acordo com pessoas que estiveram na reunião, o acordo não foi possível porque nenhum dos grupos aceitou mudar a data ou o local do seu ato. 

"Nessas manifestações, usaremos as informações que temos nos nosso planejamento para identificar e agir contra pessoas ou grupos que tentem impedir o uso deste direito constitucional (de manifestação)", disse o secretário, durante coletiva de imprensa ao lado do governador João Doria (PSDB). Ele afirmou que a PM deverá fazer revistas em pessoas que querem participar do ato. "(Faremos) revistas critériosas para evitar que as pessoas possam levar objetos que possam causar dano em outras pessoas."

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