Após acordo com PMDB, Patrus rejeita interferência do PT nacional em Minas

Em jantar na quarta, líderes do PT e do PMDB decidiram por candidatura única no Estado; para Patrus, prévia não é 'encenação'

EDUARDO KATTAH, Agência Estado

15 de abril de 2010 | 18h12

Um dia depois das cúpulas do PMDB e do PT selarem um acordo que prevê uma única candidatura ao governo de Minas Gerais, o ex-ministro Patrus Ananias criticou nesta quinta-feira, 15, interferências da direção nacional do partido e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na escolha do candidato da base aliada ao governo do Estado. Patrus e o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, se inscreveram para a disputa de prévias - marcada para o dia 02 de maio - que irão definir o pré-candidato do PT.

 

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A indefinição tem irritado o ex-ministro das Comunicações e pré-candidato do PMDB, Hélio Costa, que ameaça romper com os petistas caso um acordo não seja costurado até o dia 09 do próximo mês.

 

Líder nas pesquisas de intenção de voto no Estado, Costa utiliza a aliança em torno da candidatura de Dilma Rousseff à Presidência como principal argumento para consolidar seu nome na disputa estadual. Lula, que cobra um palanque único para Dilma em Minas, já teria manifestado preferência pelo peemedebista para não melindrar o PMDB e ameaçar o acordo nacional. Em tom de ameaça, o ex-ministro das Comunicações lembrou que o diretório mineiro possui 69 delegados nacionais e deverá ser decisivo na convenção do partido que em junho irá deliberar sobre a aliança com o PT.

 

Mas Patrus, que garante estar em sintonia com Pimentel, disse que o PT-MG tem autonomia para decidir e a "prévia é para valer". Questionado sobre qual seria o papel do presidente no atual processo, foi categórico: "Quem dá a palavra final no PT é o PT. São as instâncias partidárias. Claro que o presidente Lula é um filiado e um militante muito especial, pela extraordinária liderança que ele exerce, o governo histórico que ele está realizando", destacou. "(Mas) É um partido que tem normas, tem estatuto, tem procedimentos claros, democráticos, tem militância e tem instâncias".

 

O ex-ministro do Desenvolvimento Social também afirmou que a disposição do PT mineiro em ter candidato próprio não é uma "encenação". Segundo ele, a direção nacional do partido - que desaconselhou a realização de prévias nos Estados - não vai interferir na decisão do diretório regional porque "Minas Gerais é um estado que merece respeito".

 

"É claro que o que nos une a todos no Brasil é o projeto nacional. Não tem nenhuma dúvida quanto a isso. Agora, eu digo sempre também que o projeto nacional não se dá no vazio. O projeto nacional se dá e se constrói a partir de realidades concretas, locais, regionais, estaduais. E nós sabemos que o projeto nacional passa por Minas Gerais", disse.

 

Reunião em Brasília

 

As declarações de Patrus veem um dia após líderes do PT e do PMDB se reunirem em Brasília para selar um acordo pela candidatura única no Estado. Segundo o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), a cabeça da chapa única será anunciada até o dia 9 de maio.

 

Com a expectativa de que o nome do partido se viabilize como a melhor opção, a tática do PT mineiro é adiar ao máximo a definição do candidato do campo lulista no segundo colégio eleitoral do País. Na noite desta terça-feira, 14, durante uma plenária com apoiadores, Pimentel rechaçou as pressões dos peemedebistas, afirmando que o partido "não tem conhecimento profundo para dar opinião nos assuntos internos do PT".

 

Patrus, que concedeu entrevista na Assembleia Legislativa, reconheceu que ele e Pimentel deveriam ter comunicado antes o ex-ministro das Comunicações sobre a decisão de o partido realizar prévias.

 

Nas imediações do parlamento mineiro, Costa almoçou com deputados do PDT e disse que a definição na base aliada não pode passar do dia 9. Segundo ele, a data foi estabelecida em um encontro na quarta-feira entre o deputado Michel Temer e o presidente do PT, José Eduardo Dutra. "No dia 9, não houve acordo, tudo bem. Cada um para o seu lado e vamos à guerra".

 

O ex-ministro também provocou, afirmando que talvez os petistas "tenham se esquecido que Minas Gerais tem 69 votos no colégio eleitoral da convenção nacional do PMDB". "A situação chegou ao ponto de colocar em perigo até mesmo o apoio nacional do PMDB", ameaçou. "Vamos chegar à convenção com essa responsabilidade. Para onde for a bancada mineira é que vai o apoio do PMDB".

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