Após ação em base de grupos bolsonaristas, polícia do DF mira financiadores dos movimentos

Segundo delegado responsável pela Cecor da Polícia Civil do Distrito Federal, Leonardo de Castro, polícia pode abrir uma linha de investigação sobre o financiamento das ações

Emilly Behnke, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2020 | 14h18

BRASÍLIA - Depois de uma operação de buscas em um imóvel utilizado por grupos bolsonaristas no fim de semana, o delegado responsável pela Coordenação Especial de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Cecor) da Polícia Civil do Distrito Federal, Leonardo de Castro, afirmou nesta segunda-feira, 22, que, após analisar o material apreendido e confirmados os crimes suspeitos, a polícia pode abrir uma linha de investigação sobre o financiamento das ações.

Até o momento, a apuração da Polícia Civil indica que o imóvel alvo da operação de ontem - uma chácara na região de Arniqueiras - pertenceria a um empresário de Goiânia (GO). Sem citar nomes, o delegado disse que o dono seria um dos membros do grupo e já teria inclusive ameaçado o governador Ibaneis Rocha (MDB) nas redes sociais. "Pode ser um indício de que ele seja um dos financiadores do grupo, justamente por disponibilizar esse imóvel, caso seja confirmada a propriedade."

Na semana passada, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a quebra do sigilo bancário de dez deputados e um senador aliados do governo, por suspeita de financiamento de atos antidemocráticos envolvendo grupos extremistas pró-governo.

Na operação realizada nesse domingo, houve busca e apreensão na chácara, um dos pontos de apoio dos grupos pró-governo conhecidos como "300 do Brasil", "Patriotas" e "QG Rural".

A ação aconteceu antes da manifestação em defesa do governo ocorrida na Esplanada dos Ministérios. A polícia informou ter apreendido fogos de artifício, manuscritos com planejamento de ações e discursos, cartazes, aparelhos de telefone celular, um facão, um cofre, além de imagens das câmeras de segurança da propriedade.

A Polícia Civil investiga a prática de supostos crimes de milícia privada, ameaças e porte de armas por membros do grupo. "Há um tempo, manifestantes vêm, através de redes sociais, emitindo declarações que ultrapassam o limite da liberdade de expressão e acabam configurando crimes", afirmou o delegado.

Ao longo da última semana, integrantes do grupo "300 do Brasil" foram alvo da polícia após ameaças a Ibaneis e a ministros do STF. A líder do movimento, a extremista Sara Giromini, teve o habeas corpus negado e segue detida na Colmeia - penitenciária feminina no complexo do Presídio da Papuda.

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