Após absolvição, Palocci tenta refazer a imagem

Ex-ministro ainda não admitiu candidatura ao governo de SP, mas já encomendou pesquisa para medir tamanho da popularidade e rejeição

Vera Rosa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2009 | 00h00

Sem admitir a candidatura ao governo de São Paulo, o deputado e ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci (PT-SP) começou a se movimentar para apagar a imagem de mandante da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. Com o apoio de deputados do PT paulista, Palocci encomendou nova pesquisa - feita com grupos de eleitores das classes C, D e E, em várias cidades do Estado - para medir o tamanho de sua popularidade e também da rejeição, além do desempenho de seus adversários diretos.

A sondagem foi feita na segunda semana de agosto, mas antes do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), que no último dia 27 absolveu Palocci da acusação de violar a conta do caseiro. Na sexta-feira, o deputado fez mais um gesto político e conversou, em São Paulo, com o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, que ainda tem forte influência no PT e atua como articulador político informal do Planalto.

Palocci e Dirceu examinaram o cenário eleitoral de 2010. Avaliaram que a disputa pela sucessão do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), será "dificílima" e chegaram à conclusão de que o PT precisa agir rápido se quiser recuperar o terreno perdido para os tucanos.

Apesar de ter sido ministro da Fazenda de 2003 a 2006, Palocci ainda é uma incógnita para a maioria do eleitorado. Até o fechamento da pesquisa, poucos dias antes de sua absolvição pelo STF, ele também não conseguira se livrar do carimbo que o marcou: a violação do sigilo de Francenildo.

Na prática, tanto Dirceu como o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), e o líder do partido na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP), acham que a melhor alternativa para o partido e o governo ainda é o lançamento de Ciro Gomes (PSB-CE) ao Palácio dos Bandeirantes. A diferença é que Dirceu está convencido de que Ciro realmente quer a Presidência. "O que eu não sei é como Ciro vai manter os palanques do PSB com o PT no Ceará, em Pernambuco, no Rio Grande do Norte e na Paraíba", afirma o ex-ministro. "O palanque do Eduardo Campos (governador de Pernambuco e candidato à reeleição pelo PSB), por exemplo, vai ter Dilma e Ciro? É uma equação difícil", emenda ele, numa referência à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à vaga de Luiz Inácio Lula da Silva.

Embora conte com o apoio de Lula - que também mira Ciro como primeira opção em São Paulo, para tirá-lo do páreo contra Dilma -, Palocci usa a habitual cautela para tratar do governo paulista. "Por que vamos falar de candidatura agora se nem sabemos quem serão os adversários?", pergunta o ex-ministro da Fazenda ao lembrar o dilema vivido pelo PSDB para a definição do candidato.

O levantamento encomendado por Palocci revela que o secretário estadual de Desenvolvimento, Geraldo Alckmin (PSDB), é seu principal adversário em São Paulo. Serra, porém, não está nada disposto a apoiar Alckmin para a disputa.

Feita sob medida para captar "impressões" dos eleitores, a pesquisa quantitativa mostrou ainda que Alckmin, apesar de liderar a corrida, não tem marca própria. Já o tucano Aloysio Nunes Ferreira, chefe da Casa Civil do governo paulista, é desconhecido. Amigo de Serra, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), conta com a simpatia dos eleitores.

A provável candidatura de Palocci enfrenta resistências na seara petista. Mesmo tendo sido presidente do PT de São Paulo, o ex-ministro sempre foi considerado "conservador". A ex-prefeita Marta Suplicy apoia Palocci - seu amigo de longa data -, mas o ministro da Educação, Fernando Haddad, também está de olho no lugar de Serra. Uma briga para tucano nenhum botar defeito.

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