Após a greve, comando da Aeronáutica elogia controladores

O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, fez um elogio aos controladores aéreos nesta terça-feira, lembrando que "todo piloto de caça", como ele, "confia cegamente" na categoria. Os pronunciamentos de Saito ocorrem diante da incapacidade do governo e da Aeronáutica de apresentar uma solução definitiva para os problemas do controle aéreo e da ameaça de radicalização por parte dos profissionais do setor, que falam em baixa coletiva. O brigadeiro está no Rio de Janeiro, visitando a feira latino-americana de Defesa, e fez questão de conhecer de perto as modernidades que estão sendo apresentadas no sistema de controle do tráfego aéreo do futuro, que exigirão a presença de muito menos profissionais do que o número exigido hoje. "Eu, como piloto de caça, tenho o maior apreço pelos controladores. Nós treinamos com os controladores, os pousos, sem auxílio nenhum, só do avião e do controlador. Sabe o que é isso? Você tem de confiar cegamente nos controladores e eu confio cegamente nos controladores, cegamente", disse o comandante ao Estado, durante visita à feira, sem querer falar, no entanto, sobre a crise que envolve o setor. "Se eu não confiar no controlador, eu não teria como fazer este tipo de procedimento. Ele diz, desce um pouquinho mais, e, em seguida, sobe um pouquinho mais. Agora, curva dois graus para a direita, dois graus para a esquerda e monitora para trazer (o piloto com o avião) até o chão, até perto da pista, em situação real. Você tem de confiar nos controladores. Eu fiz este treinamento muito com eles, por isso eu confio cegamente neles", declarou o brigadeiro.Saito evitou falar sobre a atual situação dos controladores de vôo, sobre desmilitarização do setor ou sinalizar quando serão reabertas as negociações com a categoria, suspensas desde as vésperas da Semana Santa, por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O comandante não quis responder se considera que o pior já passou na relação entre comandantes e comandados, ou se a tensão já acalmou entre os controladores.Novo sistemaSobre o novo sistema ACS/ATM, que estará instalado no Brasil até 2012, e que o comandante teve oportunidade de ver como funcionará, no futuro, em um dos stands da feira latino-americana de defesa, o comandante comentou: "este é um processo natural, que está sendo modernizado. Todo o sistema está sendo modernizado". Indagado se isso iria reduzir muito o número de controladores operando ele respondeu: "vai muito". O novo sistema CNS/ATM, cuja tradução é comunicação navegação e segurança de gerenciamento de tráfego aéreo, substituirá os radares, rádios e a telefonia para monitorar vôos, por dados de satélite e tecnologia GPS tanto para as comunicações quanto para a navegação do tráfego aéreo.Conversa com controladoresO ministro da Defesa, Waldir Pires, disse que caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva definir quando deverão ser reabertas as conversações com os controladores. Depois do motim dos controladores, no dia 30 de março, quando, em reunião com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, foi assinado um acordo com três pontos, que previa a suspensão das punições administrativas e não punição pela paralisação, a transferência do comando do setor para a área civil e a concessão de uma gratificação para a categoria, as negociações foram suspensas às vésperas da Semana Santa. O Planalto avisou que só voltaria a conversar quando houvesse segurança de pleno funcionamento do tráfego aéreo, mas não marcou data para isso, o que se esperava que ocorresse a partir desta semana. Mas não há sinalização nenhuma de quando isso poderá ocorrer. Com bons olhosO Comandante da Aeronáutica não comentou, mas militares da Força Aérea não viram com bons olhos as declarações do presidente da ABCTA - Associação Brasileira de Controladores do Tráfego Aéreo, Wellington Rodrigues, publicadas na segunda-feira e que foram dadas durante a participação da Conferência da Ifatca- federação internacional de controladores do tráfego aéreo, em Istambul, na Turquia. Wellington viajou de férias para o exterior, com conhecimento e autorização da FAB, mas não havia consentimento para a concessão de entrevistas, embora ela não tenha nenhum conteúdo ofensivo à força e ele tenha sido muito cauteloso em todas as falas. "Mas ele descumpriu o regulamento", informou um brigadeiro, lembrando que, qualquer militar para dar declarações, precisa de autorização de seu comando. Mas não há nenhum movimento para punir o sargento Wellington. Esta, també, não seria uma decisão simples de ser tomada porque, inúmeras vezes, a Força Aérea fez vista grossa a outras entrevistas concedidas por ele. Portanto, puni-lo, neste momento, poderia significar o rompimento definitivo de qualquer elo que possa estar sendo construído entre comandantes e comandados. Poderia, também, significar um novo caos aéreo, já que a FAB, apesar de alardear que está se preparando para enfrentar problemas e já tem plano B, em caso de baixa coletiva, na prática, não conseguiria manter, em funcionamento, no máximo 20% do tráfego aéreo do país.A jornalista Tânia Monteiro viajou ao Rio para participar da 6º edição da LAAD - Latin America AeroEspace Defense, a convite da Reed Exhibitions Brasil.

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