Após 34 dias, Mesa vai analisar representação contra Argello

Suplente de Roriz é acusado de desvio no BRB; reunião demorou a ser convocada pelo presidente do Senado

O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2021 | 00h00

A Mesa Diretora do Senado reúne-se hoje à tarde para examinar a representação do PSOL contra o senador Gim Argello (PTB-DF), 34 dias depois de o partido acusá-lo de quebra de decoro parlamentar. A demora se deu pois somente agora o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), decidiu convocar seus colegas da Mesa para examinar a denúncia. Argello assumiu o mandato no dia 17 de julho, após a renúncia do titular da vaga, Joaquim Roriz (PMDB-DF). Ambos são acusados pela Polícia Civil de envolvimento no esquema de desvio de recursos do Banco de Brasília (BRB). Roriz renunciou para evitar um processo de cassação do seu mandato, no qual, se fosse condenado, poderia perder seus direitos políticos até 2022.Argello vem tentando se aproximar de outros senadores, mas sem muito sucesso. O parlamentar afirma que é inocente e vai se defender. Os diretórios regionais do PT, PC do B, PPS, PSB e PDT pediram ao corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), que apure contra Argello "possível quebra de decoro parlamentar associada a crimes de sonegação fiscal, enriquecimento ilícito e desvio de dinheiro público". Tuma se encontra hoje com os encarregados do inquérito da Operação Aquarela, que revelou o esquema no BRB, para pedir dados sobre a suposta participação de Argello. Dois pareceres da Casa tratam do caso Argello. Um deles, o da Consultoria Legislativa, diz que os desfalques no BRB ocorreram quando ele já tinha recebido o diploma de suplente de senador. Já o parecer do advogado-geral do Senado, Alberto Cascais, afirma que Argello não pode ser processado porque era suplente à época da fraude contra o banco. Cascais manda arquivar a representação, assim como fez com as três denúncias contra Renan. Seus pareceres têm sido ignorados pela Mesa Diretora.

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