Após 10 dias de ocupação, reitor da UnB afasta-se em definitivo

O vice-reitor já havia pedido exoneração no sábado; ministro da Educação deverá se pronunciar sobre o caso

Fabíola Salvador, da Agência Estado,

13 de abril de 2008 | 17h00

O ministro da Educação, Fernando Haddad, está reunido nesta tarde com representantes do Conselho de Educação da Universidade de Brasília (UnB) para definir uma solução para o comando da instituição. Durante a reunião, o reitor Timothy Mullholland ligou para o ministro e solicitou afastamento definitivo do cargo.   Veja também Entenda o caso do reitor da UnB Vice-reitor da UnB pede exoneração após dez dias de ocupação Após licença, estudantes da UnB querem agora saída de vice  Estudantes da UnB rejeitam termo e mantêm ocupação MEC quer parecer da Finatec sobre recursos para UnB Justiça manda estudantes desocuparem Reitoria    O motivo seria permitir uma pacificação no campus da UnB. A notícia foi bem recebida pelos estudantes acampados na reitoria desde o último dia 3.    Participam da reunião, iniciada por volta de 15h30, 29 pessoas, entre representantes de estudantes, professores e do Ministério da Educação.   A universidade enfrenta um vácuo de poder desde ontem à noite, quando o vice-reitor Edgar Mamiya entregou o cargo, em decisão comunicada ao ministro Haddad. Mamiya ocupava interinamente a direção da UnB depois do pedido de afastamento temporário de Mullholland, feito na sexta-feira.   Pelo estatuto da UnB, no caso de ausência de reitor e vice, a direção da universidade deve ser assumida pelo decano mais idoso. Nesse caso, seria Érico Weidler, que pediu afastamento do cargo de administração e finanças da UnB por 60 dias, por motivos médicos.   O reitor não resistiu às pressões para que deixasse o posto, depois de ser denunciado por supostamente fazer mau uso de verbas públicas destinadas à pesquisa. Por conta das denúncias, a reitoria da universidade foi ocupada por alunos, exigindo o afastamento de Mullholland. A reitoria ainda continua ocupada pelos estudantes. O ministro Fernando Haddad deverá conceder entrevista coletiva.   As denúncias contra o reitor surgiram no início de fevereiro, em meio ao escândalo da farra com os cartões corporativos, que resultou na saída da ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro. A universidade apareceu como líder no ranking de instituições federais em gastos com cartões, e Mulholland teria usado recursos públicos de uma fundação, no total de R$ 470 mil, para mobiliar um apartamento funcional.

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