Apoio ‘tímido’ de Aécio decepciona tucanos paulistas

CAso Siemens estremece ainda mais a delicada relação entre o governador Geraldo Alckmin e o senador presidenciável do PSDB Aécio Neves

Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

10 de agosto de 2013 | 00h11

A delicada relação entre o governador Geraldo Alckmin e o senador presidenciável do PSDB Aécio Neves ficou ainda mais fragilizada depois que o caso Siemens veio à tona. O Palácio dos Bandeirantes deseja mais solidariedade, combatividade e apoio explícito do mineiro, que também é presidente nacional da legenda e tem a hegemonia da máquina partidária. A reação de Aécio foi considerada tímida, pelo menos até agora.

Alckmistas e pessoas próximas ao senador classificam a relação entre os dois como amistosa no âmbito pessoal, mas politicamente tensa. Entre José Serra e Aécio, o clima é de guerra aberta. Não há interlocução entre os dois. O episódio do cartel ocorre no pior momento para o ex-governador tucano: justamente quando ele conseguiu incluir seu nome nas próximas pesquisas de intenção de voto para a eleição presidencial de 2014. A avaliação de alckmistas é que Aécio teria visto no episódio Siemens uma oportunidade de eliminar Serra da disputa e ao mesmo tempo forçar o governador paulista e abraçar de fato seu projeto presidencial.

Interlocutores do senador rebatem essa análise. Contam que ele ligou para Serra e Alckmin prestando solidariedade e até elaborou nota oficial em defesa dos tucanos paulistas em conjunto com o Palácio dos Bandeirantes. O texto, que só foi finalizado na noite de ontem, mais de duas semanas depois que o caso foi divulgado, foi postado no site do partido, mas não teve repercussão.

‘Aecistas’ lembram ainda que ele desembarcou em São Paulo na noite de segunda-feira, véspera de uma reunião com todos os presidentes estaduais tucanos para um jantar no Palácio dos Bandeirantes. Na ocasião, teria incentivado a participação da imprensa. Foi nesse dia que o senador deu sua mais contundente declaração: "Me parece extremamente estranho que esses documentos ainda não tenham chegado ao governo. Obviamente não podemos aceitar esse vazamento selecionado".

Na manhã seguinte ao jantar em São Paulo, o encontro dos tucanos em Brasília que selou a candidatura presidencial de Aécio Neves e sepultou a tese de realização de prévias passou ao largo das denúncias de cartel do caso Siemens. Perdeu-se ali uma grande oportunidade de fazer um gesto concreto e público de desagravo ao tucanato paulista.

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