Apoio que atrapalha em BH ajuda em Contagem

Lacerda vincula negativamente Quintão a Newton Cardoso, aliado petista na cidade vizinha

João Domingos, O Estadao de S.Paulo

23 de outubro de 2008 | 00h00

As alianças partidárias no Brasil às vezes revelam surpresas a poucos quilômetros de distância. Em Belo Horizonte, por exemplo, PT e PSDB apóiam Márcio Lacerda, do PSB, numa coligação feita por debaixo dos panos, mas excessivamente exposta, a ponto de o governador Aécio Neves, tucano, e o prefeito Fernando Pimentel, petista, andarem pelas ruas de braços dados com o candidato a prefeito defendido por ambos.Ao mesmo tempo, a campanha de Lacerda explora, pelo lado negativo, o apoio do ex-governador Newton Cardoso (PMDB), o Newtão, ao adversário Leonardo Quintão, numa tentativa de levar o eleitor a mudar o voto ou se afastar do peemedebista.Em Contagem, a menos de 30 quilômetros do Palácio da Liberdade e da sede da Prefeitura de Belo Horizonte, de onde despacham Aécio e Pimentel, ocorre a situação inversa à da capital. A candidata do PT, Marília Campos, tem o apoio de Newtão na luta para se reeleger e derrotar o tucano Ademir Lucas, que lá conta no seu palanque com Aécio.Até nas alianças ocultas os dois casos são parecidos. Enquanto em Belo Horizonte Lacerda tem o apoio não oficial de Aécio, em Contagem o PMDB não integra a aliança formal de Marília. Esta é composta por quatro partidos: PT, PPS, PHS e PSL. Apesar de não fazer parte da coligação, o PMDB trabalha firme para a reeleição de Marília. O diretório municipal do partido, que é presidido pela deputada Maria Lúcia Cardoso, mulher de Newton, pôs toda sua estrutura a favor da candidata.Em Belo Horizonte, a campanha de Lacerda espalhou milhares de panfletos com uma foto feita em 2006, em que Quintão aparece ao lado de Newton Cardoso e do ex-governador Anthony Garotinho.Garotinho, hoje inimigo, foi importante aliado do PT e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no passado. Em 1998, para garantir a aliança de petistas com Garotinho, na eleição para governador do Rio, Lula determinou uma intervenção no diretório local, afastando o grupo comandado pelo ex-deputado Wladimir Palmeira, contrário à coligação.Sem Palmeira pelo caminho, o PT indicou a ex-ministra Benedita da Silva para vice na chapa de Garotinho. A aliança deu certo e os dois venceram a eleição. Garotinho afastou-se do governo em 2002 para disputar a eleição de presidente da República, cedendo o lugar para Benedita. Lula, que se elegeu no mesmo ano presidente, com o apoio de Garotinho no segundo turno, vangloriou-se de sua ação. Num discurso logo depois de eleito, disse que por sua causa "uma mulher negra pôde chegar ao cargo de governadora". Só que Benedita perdeu a reeleição para Rosinha, mulher de Garotinho.

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