Apoio do PSDB a Chinaglia mina reforma política, diz Aldo

O presidente da Câmara, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), disse nesta sexta-feira que o apoio do PSDB ao deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), com quem disputa o cargo, acaba com a credibilidade da reforma política que os parlamentares querem realizar este ano. Ele alega que será impossível transmitir à população a seriedade da proposta quando dois partidos políticos, até então antagônicos, se juntam na empreitada de eleger o presidente da Câmara em troca de acordos estaduais. Aldo também considera injustificável o fato de que o PSDB dá mais poder ao PT, a ponto de comprometer o equilíbrio das forças políticas e a coalizão entre os partidos. "Como é que vamos iniciar a próxima legislatura discutindo a reforma política se os acordos que são realizados não guardam nem relação com a distribuição do poder na Câmara e se subordinam a acordos nas assembléias legislativas?", questionou, sem citar a que Estados se referia. Troca Parlamentares próximos a ele, porém, asseguram que o acerto encabeçado pelo líder tucano na Câmara, Jutahy Júnior (BA), com o candidato petista teria dois alvos: assegurar na Assembléia de São Paulo votos do PT em favor de matéria de interesse do governador do Estado, José Serra, e abrir espaço para o próprio Jutahy no governo petista da Bahia, onde já teria indicado um aliado para presidência da Assembléia Legislativa de lá. Aldo Rebelo disse ter questionado esses pontos com os tucanos com quem conversou "porque são meus amigos". Na lista de interlocutores, segundo seus assessores, estariam o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza. "É uma posição que não guarda coerência com a trajetória do partido nos últimos quatro anos, a não ser que toda a oposição que o PSDB fez ao PT tenha sido arquivada em função de acordos políticos regionais", criticou. "E em função desses acordos, o PSDB resolve dar ainda mais poder àquele partido que ele julgava seu adversário." Aldo disse que não pedirá a interferência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para favorecê-lo. Ele anunciou que na próxima semana divulgará uma carta aberta com os compromissos que assumirá, caso seja reeleito para o comando da Câmara. "O que eu pergunto é se para o equilíbrio da Câmara, das forças políticas do país, o PSDB acha que o caminho é dar mais poder ainda ao PT", insistiu. Ele disse achar "legítimo" a tentativa do PT de ampliar sua faixa de poder, mas ironizou lembrando que o partido fez o mesmo no primeiro governo Lula, quando fez o que pôde para retirá-lo do cargo de ministro da coordenação política.

Agencia Estado,

12 Janeiro 2007 | 21h13

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