Apoio do PSB a Alckmin 'cria problema para Aécio', diz Amaral

Aliança permitiu ao pré-candidato do partido à Presidência, Eduardo Campos, ter palanque no maior colégio eleitoral do País

Luciana Nunes Leal, O Estado de S.Paulo

21 Junho 2014 | 13h51

RIO - O vice-presidente nacional do PSB, Roberto Amaral, disse neste sábado, 21, que a aliança dos socialistas com o governador tucano Geraldo Alckmin, formalizada na sexta, "cria problema" para o candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, em São Paulo.

Com a aliança, o pré-candidato do PSB a presidente, Eduardo Campos, ganhou um palanque no maior colégio eleitoral do País. Em São Paulo, os socialistas indicarão o candidato a vice-governador.

"Na minha lógica, essa aliança em São Paulo beneficia o Eduardo e cria problema para o Aécio, o que me deixa muito feliz. É mais uma dificuldade para o Aécio", disse Amaral durante a convenção do PSB-RJ, que acontece no centro do Rio.

Ex-ministro da Ciência e Tecnologia no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o dirigente socialistas afirmou que o caminho natural em São Paulo era manter a aliança com os tucanos. "Já estávamos aliados ao governador Alckmin e a continuidade era a lógica. Além disso, ele nos ofereceu a vice-governadoria, o que significa quase um ano de governo (porque Alckmin, se disputar algum cargo eletivo daqui a quatro anos, terá que deixar o cargo em abril de 2018). Temos a esperança de disputar as eleições de 2018 (estando) no governo de São Paulo", afirmou Amaral.

Amaral sustentou, que a mesma lógica do problema para Aécio não vale para a presidente Dilma Rousseff no Rio, onde o PSB se uniu ao PT e apoiará a candidatura do senador petista Lindbergh Farias para o Palácio Guanabara, com o deputado Romário (PSB) na disputa pelo Senado.

No Rio, segundo o vice-presidente do PSB, a ideia foi "unificar todas as forças progressistas para deter forças da direita". Lindbergh já tinha fechado coligação com o PC do B e o PV e terá como adversários o ex-governador Anthony Garotinho (PR), o senador Marcelo Crivella (PRB), o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) e o ex-prefeito Cesar Maia (DEM). "Os partidos de esquerda estão unidos no Rio e, com a candidatura de Romário, contribuímos para aproximar a esquerda do povo", disse Amaral.

O prestígio de Romário, ex-jogador de futebol até hoje admirado por várias torcidas, foi comprovado ontem quando o deputado chegou ao local da convenção. Torcedores do Flamengo o receberam com gritos de "presidente". Mesmo não sendo delegados do PSB, eles subiram até a sala onde se realizada a convenção, o que causou certa confusão. Atual presidente do PSB-RJ, Romário deverá passar o cargo nesta tarde ao deputado Glauber Braga. A eleição da nova executiva acontece até o início da tarde e, a partir das 15 horas, será votada a coligação com o PT e a candidatura de Romário ao Senado.

A aliança com o PT se firmou depois que o deputado Miro Teixeira, do PROS, desistiu da pré-candidatura ao governo do Rio, em aliança com o PSB, alegando que os socialistas do Rio não tinham aceitado a coligação e que não havia "ambiente" para a campanha conjunta. Roberto Amaral contestou a versão de Miro e disse que a "prioridade" do PSB era a aliança com o PROS. "Estávamos com Miro. Mas agora isso é passado", disse o vice-presidente socialista

Questionado sobre como será a dinâmica da campanha de Lindbergh, aliado da presidente Dilma Rousseff, com Romário, que está com Eduardo Campos, Amaral disse não haver problema. "Romário pede voto para Eduardo e Lindbergh pede voto para Dilma". 

O deputado Alfredo Sirkis, que ingressou no PSB em outubro passado, quando o Tribunal Superior Eleitoral rejeitou o registro da Rede Sustentabilidade, liderada por Marina Silva, futura candidata a vice de Campos, reiterou a posição contrária à aliança dos socialistas com o PT. "Defendo candidatura própria. Se o objetivo é firmar uma terceira força (na disputa presidencial, para enfrentar Dilma e Aécio), não há sentido algum em fazer aliança com o PT no primeiro turno. Isso compromete as chances do Eduardo no Rio de Janeiro, onde ele já tem dificuldade, porque o Aécio está mais à vontade", disse Sirkis, lembrando o fato de que o candidato tucano, ex-governador de Minas, tem ligações antigas com o Rio  de Janeiro e divide a moradia entre Belo Horizonte e Rio. Em texto divulgado na sexta, Sirkis disse que a aliança PSB-PT no Rio era uma "suruba". 

A menos de 300 metros da convenção do PSB, o PSD-RJ se reuniu para aprovar apoio ao governador Pezão. O PSD fluminense não acompanha a aliança nacional com a presidente Dilma e apoia Aécio Neves para presidente. Pezão, o prefeito Eduardo Paes, o ex-governador Sérgio Cabral, pré-candidato ao Senado, e o presidente da Assembleia Legislativa, Paulo Melo, todos dos PMDB, estiveram na convenção do aliado. O PSD é um dos fundadores, ao lado de dissidentes do PMDB-RJ, do movimento "Aezão", que prega o voto conjunto em Aécio e Pezão. O governador, no entanto, garante que fará campanha pela reeleição de Dilma.

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