Apoio de vereadores tucanos a Kassab acirra crise no PSDB

Em carta, líder na Câmara Municipal defende realizações da atual gestão e diz que 'parceria tem que continuar'

Silvia Amorim, O Estadao de S.Paulo

19 de março de 2008 | 00h00

Sob a ameaça de perder espaço político na Prefeitura de São Paulo, que consideram vital para manter suas cadeiras no Legislativo municipal na próxima eleição, vereadores do PSDB lançaram ontem uma nova ofensiva para pressionar o partido a manter a aliança com o DEM na capital paulista. Em uma carta divulgada à imprensa, intitulada A cidade é nossa há 40 meses, o líder do PSDB na Câmara Municipal, Gilberto Natalini, enumera realizações da gestão José Serra/Gilberto Kassab na prefeitura e conclui: "Essa parceria tem que continuar. A bancada de vereadores do PSDB, em sua maioria esmagadora, defende a manutenção da aliança PSDB-DEM para as próximas eleições". Leia a íntegra da notaEssa é a terceira vez em dois meses que vereadores tucanos, seja em bloco ou de forma individual, se manifestam em defesa da parceria entre as duas legendas, expondo a crise que atinge o PSDB paulista - dos 12 parlamentares da bancada, apenas um, Tião Farias, não endossa as articulações do grupo. Nas entrelinhas, o artigo é uma manifestação velada de apoio à reeleição de Kassab, afirmam aliados do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), que briga dentro do partido - mais especificamente com o grupo do governador José Serra - para ser o candidato à prefeitura da capital. Mais da metade do texto é dedicado a exaltar obras iniciadas por Serra e continuadas por Kassab. Em oito parágrafos, nenhuma menção ao nome de Alckmin. "Este governo, comandado pelo prefeito Kassab e pelos secretários e subprefeitos, em sua maioria do PSDB, deu nova cara para São Paulo", diz o artigo escrito por Natalini.O vereador negou ontem que a carta seja um sinal de apoio a Kassab. "A carta não diz isso. Não é a hora de falarmos de nomes. Temos antes que decidir se queremos ou não manter essa aliança que está dando certo na prefeitura e no governo do Estado. Essa é a discussão", rebateu. Natalini explicou o motivo que o levou a escrever o texto."Nós nos sentimos responsáveis por esse governo desde o primeiro dia dele e nos sentimos responsáveis por ele até o último dia, até 31 de dezembro." A indefinição sobre o futuro da aliança PSDB-DEM em São Paulo se arrasta desde janeiro e esquentou mesmo quando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso declarou, em entrevista ao Estado, que apoiava a tese de que o PSDB deveria disputar a eleição aliado a Kassab, também defendida por Serra. Uma trégua foi acordada entre Alckmin e o prefeito para encaminhar as negociações sobre a aliança, mas declarações de voto de tucanos em Kassab nos últimos dias reacenderam a disputa. ?ESCALADA?Alckmistas viram a nova ofensiva dos vereadores como uma "escalada" com intenção de "refluir o movimento pró-Alckmin". Mas afirmam que será inútil porque a candidatura própria é "irreversível". O ex-governador já está montando sua equipe de campanha. Por lei, os partidos têm até julho para formalizar suas candidaturas.Oficialmente parlamentares ligados a Alckmin e a Serra dizem que todas as manifestações são legítimas. "Acho que, enquanto o partido não tomar decisão, qualquer manifestação é válida. Não tem disputa entre a Hillary Clinton e o Barack Obama? Faz parte da democracia", disse o deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP). "No momento não há definições de candidaturas. Então, em princípio, todos os membros, com ou sem cargos na prefeitura, estão liberados para dar opinião", afirmou o deputado Sílvio Torres (PSDB-SP).O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra, vê o fato com reservas. "Manifestações são permitidas e aceitas por partidos democráticos. O prudente, porém, é resolver isso internamente", ponderou ele, que desembarca em São Paulo na próxima semana.Em fevereiro a bancada de vereadores do PSDB da capital encaminhou ao Diretório Municipal do partido uma carta cobrando uma posição da Executiva sobre a continuidade da aliança com o DEM para a eleição deste ano. Até hoje, não houve resposta. Ontem, o segundo vice-presidente do colegiado, Andrea Matarazzo - secretário da gestão Kassab e potencial vice do prefeito numa chapa DEM-PSDB - participou de uma reunião com os vereadores. "Todo mundo concorda com a aliança", disse. Ele não soube responder o motivo da demora do diretório em se posicionar. "Não fui às últimas reuniões." Na reunião, os vereadores decidiram que vão consultar os diretórios zonais para saber a opinião sobre a continuidade ou não da aliança com o DEM.

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