NELSON ALMEIDA / AFP
NELSON ALMEIDA / AFP

Apoio de PSL a Rodrigo Maia na reeleição da Câmara surpreende partidos de oposição

PSB e PDT vão reavaliar se apoiam atual presidente da Casa; PT diz que 'não há chance' de participar

Ricardo Galhardo e Clarissa Oliveira, O Estado de S.Paulo

02 Janeiro 2019 | 19h56

O apoio declarado do PSL à recondução de Rodrigo Maia (DEM-RJ) como presidente da Câmara pegou de surpresa os partidos de oposição ao governo Jair Bolsonaro, que vinham negociando nos bastidores acordos com o emedebista. 

PSB e PDT, que já davam como certa a participação no bloco articulado por Maia, vão reavaliar a situação. O PT descarta totalmente participar de qualquer articulação que inclua o PSL e fala em criar um bloco com os cinco partidos de oposção (que somaria 136 cadeiras) além de deputados desgarrados que desejem independência em relação a Bolsonaro. O PSOL cogita lançar candidato próprio à Presidência da Câmara para marcar posição. 

"Não existe a menor chance de participarmos disso", disse a presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PT-PR). Segundo ela, o acordo do PSL com Maia derruba o discurso de Bolsonaro sobre não ceder ao troca-troca de cargos por apoio. "Não durou nem 24 horas a promessa de Bolsonaro de se distanciar da velha política. O partido dele já está acertando apoio em troca de cargos", completou.

Para tentar reduzir resistências, o líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta, fala em "oposição programática" e dividir o protagonismo do PT em um possível bloco de oposição. 

O presidente do PDT, Carlos Lupi, disse que  o partido vai reavaliar a situação e deve tomar uma decisão até o dia 12. "Estamos tendendo a apoiar o Rodrigo mas agora é um novo momento. Ele passava uma imagem de independência e agora parece mais atrelado ao governo", disse Lupi. 

O presidente do PSB, Carlos Siqueira, colocou e m dúvida a participação do partido no bloco de apoio a Maia. "Ainda estamos examinando essa questão, mas não é seguro que possamos integrar esse bloco", afirmou.

O PSOL é favorável ao bloco de oposição e pensa em lançar candidato próprio para marcar posição. "O PSOL vai trabalhar para que a oposição se unifique em torno de um nome que expresse claramente nossa crítica ao caráter entreguista e autoritário do governo Bolsonaro", disse o presidente da legenda, Juliano Medeiros.

Por trás do discurso cobrando de Maia garantias de que não cederá incondicionalmente aos interesses do Planalto, líderes oposicionistas reconhecem que perderam grande parte de seu poder de fogo e já falam em ceder nas negociações.

Líderes e dirigentes avaliam que a aliança de Maia com o PSL altera todo o quadro na disputa e a divisão pelos principais cargos da Casa.

O anúncio jogou água em especial sobre os planos do PT, hoje dono da maior bancada da Câmara. O partido, em tese, esperava conseguir o controle de três comissões.  Agora, o entendimento é de que o endosso do PSL a Bolsonaro praticamente inviabiliza a nomeação de um petista para presidir comissões historicamente alinhadas à agenda partidária. É o caso da Comissão de Direitos Humanos, da Comissão de Educação ou ainda de Seguridade Social, todas elas consideradas estratégicas também para o partido do presidente eleito.

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