Apoio de governador não garante liderança

Ao menos 15 candidatos estão bem nas pesquisas, mesmo sem ajuda

Eugênia Lopes, O Estadao de S.Paulo

19 de agosto de 2008 | 00h00

Pelo menos 15 candidatos a prefeito de capitais não precisaram, até agora, do apoio dos governadores para ter um bom desempenho nas pesquisas de intenção de voto. Na véspera da estréia do horário eleitoral gratuito, candidatos que disputam o comando das capitais e são patrocinados por governadores estão na lanterninha da preferência do eleitorado. O caso mais emblemático é Minas.Apoiado pelo governador Aécio Neves (PSDB) e pelo prefeito Fernando Pimentel (PT), Márcio Lacerda (PSB) não conseguiu deslanchar em Belo Horizonte, ficando atrás da deputada Jô Moraes (PC do B), que lidera as pesquisas, e de Leonardo Quintão, do PMDB.Situação semelhante é vivida em Natal, onde a candidata do PV, Micarla Souza, tem chances de ganhar a eleição no primeiro turno. Ela tem como adversária a deputada Fátima Bezerra, do PT, apoiada pela governadora Wilma Faria (PSB) e pelo governo federal.No Rio, o governador Sérgio Cabral (PMDB) não conseguiu transferir, até agora, seus votos para o ex-deputado Eduardo Paes (PMDB), que continua atrás do senador Marcelo Crivella (PRB) na disputa pela prefeitura carioca. O mesmo ocorre em São Paulo, onde o prefeito Gilberto Kassab (DEM), que conta com o apoio do governador José Serra (PSDB) à sua reeleição, está em situação de empate técnico com o deputado Paulo Maluf (PP), em terceiro lugar."A transferência de votos varia de caso a caso e costuma funcionar bem quando se trata do mesmo cargo", explica o cientista político Murilo Aragão, da Universidade de Brasília (UnB). "Além disso, um governador pode ser popular no Estado, mas não na capital." REELEIÇÃODos 26 prefeitos de capital, 20 tentam a reeleição. Desses últimos, 7 não contam com o apoio dos governadores, mas estão bem posicionados nas pesquisas de intenção de voto. É o caso de Sílvio Mendes (PSDB), que tem 67% das intenções de voto na briga para se reeleger prefeito de Teresina.O governador Wellington Dias, do PT, apóia a candidatura do deputado petista Nazareno Fonteles, na lanterninha da disputa, com 15%. Em Fortaleza, a prefeita Luizianne Lins (PT) conta com o apoio formal do governador Cid Gomes (PSB), mas está atrás do ex-deputado Moroni Torgan (DEM), com 35%. A candidatura da senadora Patrícia Saboya (PDT) também não deslancha, apesar do apoio de caciques do Ceará como Ciro Gomes (PSB), seu ex-marido, e o senador tucano Tasso Jereissati.SEM PATROCÍNIOOs atuais prefeitos de Maceió, Cícero Almeida (PP); de Goiânia, Íris Resende (PMDB); de Cuiabá, Wilson Santos (PSDB); de Belém, Duciomar Costa (PTB); de Curitiba, Beto Richa (PSDB); e de Palmas, Raul Filho (PT), lideram até agora as pesquisas de intenção de voto, mesmo sem o apoio do governador. Há situações em que prefeitos candidatos à reeleição estão mal nas pesquisas de intenção de voto, mesmo com o patrocínio de governadores. Um dos casos mais emblemáticos está em Salvador, onde o prefeito João Henrique (PMDB) amarga um terceiro lugar, apesar de contar com o apoio informal do governador Jacques Wagner (PT) e do governo federal. O deputado petista Walter Pinheiro, que tem a candidatura patrocinada pelo governador baiano, está pior: não consegue subir de um dígito nas pesquisas de intenção do voto.

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