CELSO JUNIOR/AE
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Apoio a Sarney no Senado, a mando de Lula, abre racha no PT

Líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante diz que 'preço político pago pelo PT é muito alto'

da Redação, com AE,

19 de agosto de 2009 | 18h57

Com idas e vindas desde o início da crise do Senado, a posição do PT na reunião do Conselho de Ética desta quarta-feira, 19, foi decisiva para o arquivamento de todos os processos contra o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), e abriu uma crise na bancada do partido.

 

No mesmo dia em que a petista histórica Marina Silva anunciou sua saída do partido, senadores criticaram o líder da bancada, Aloizio Mercadante (SP), e o senador paranaense Flávio Arns disse que também avalia deixar o PT. Mercadante chegou a afirmar que só não deixará o partido nesta quarta para não agravar ainda mais a crise.

 

Contrário ao arquivamento de todas as ações, o líder da bancada chegou a colocar, na noite de terça-feira, 18, seu cargo à disposição do partido, caso tivesse que substituir os suplentes Ideli Salvatti (PT-SC) e Delcídio Amaral (PT-MS) pelos membros da tropa de choque do governo Romero Jucá (PMDB-RR) e Roberto Cavalcanti (PTB-PB).

 

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Até antes do início da sessão do conselho, não estava claro se os dois senadores petistas, que concorrem a reeleição no ano que vem, votariam a favor ou contra o arquivamento. Delcídio e Ideli se inclinavam a votar por Sarney, mas temiam a má repercussão para as eleições do ano que vem.

 

Favorável a que os senadores do PT votassem conforme sua consciência, Mercadante foi contrariado pela direção nacional do partido. Na manhã desta quarta-feira, o presidente do PT, Ricardo Berzoini, enviou uma nota aos senadores pedindo unidade no arquivamento das ações contra Sarney.

 

Mercadante - que deve concorrer a reeleição no ano que vem - negou-se a ler o texto na comissão, deixando o constrangimento para o senador João Pedro - cujo mandato vai até 2014 - e aos membros do conselho, que votaram conforme a orientação da bancada.

 

Críticas

 

Delcídio criticou a atitude do líder. "Um exército forte é feito de um líder forte. Nós nos sentimos desamparados hoje (quarta)", disse o senador petista.

 

Após a sessão, Delcídio contou que o combinado era que a nota fosse lida por Mercadante, para anunciar "uma posição da bancada". Em cima da hora, porém, Mercadante desistiu e pediu que o senador João Pedro (PT-AM) anunciasse a nota em seu lugar.

 

"Fiquei constrangido em votar pelo arquivamento das ações", confessou o senador, "mas sou um homem de partido. Ser governo não é só ficar no bem-bom, tem que mastigar o osso", afirmou o senador sul-mato-grossense .

 

Na avaliação do líder do PT, que não é integrante do conselho, arquivar as denúncias e representações contra o presidente do Senado não seria a melhor maneira de tentar solucionar a crise política no Senado. "Não li a carta porque seria hipocrisia", justificou. "O preço político que o PT está pagando é muito grande. Essa não é a posição política melhor para a bancada, mas falou mais alto a posição partidária", disse Mercadante.

 

Em meio as pressões, Mercadante disse que ficará na liderança do PT a pedido da maioria dos senadores da bancada. "Minha vontade era sair da liderança, mas não vou agravar a crise na bancada", disse o senador, após reunião do partido que contou com sete dos 12 senadores petistas.

 

'Tática da oposição'

 

Em sua nota, Berzoini classifica a abertura dos processos contra Sarney como uma tática da oposição.

 

"Oriento os senadores do PT que fazem parte do Conselho de Ética que votem pela manutenção do arquivamento das representações em relação aos senadores representados, como forma de repelir essa tática política da oposição, que deseja estabelecer um ambiente de conflito e confusão política, no momento em que os grandes temas do Brasil, como o marco regulatório do pré-sal e as estratégias para a superação da crise internacional são propostos pelo presidente Lula, como pauta para o necessário debate nacional", afirma a nota.

 

Senadores da oposição, que dependiam do apoio do PT para conseguir votos suficientes para abrir investigação contra José Sarney, criticaram a orientação de Berzoini. Para o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) a nota "é deplorável" em todos os aspectos. "Tem um discurso que se desvirtua completamente da prática", afirmou.

 

Ao final da reunião do Conselho de Ética, senadores contrários à permanência de Sarney criticaram a decisão do PT de votar pelo arquivamento das denúncias.

 

"É impressionante como o Senado cada vez mais consegue se afastar da vontade da opinião pública", disse o senador Renato Casagrande (PSB-ES). "O apoio do PT ao presidente José Sarney mostrou que o presidente Lula colocou a sua digital no arquivamento", avaliou José Agripino Maia (RN), líder do DEM.

 

PMDB e PT em 2010

 

O líder do PMDB, Renan Calheiros (PMDB-AL), avaliou, em contrapartida, que a decisão da bancada petista em votar pelo arquivamento das denúncias contra Sarney "é uma prova de que o PT e o PMDB podem estar ainda mais próximos em 2010". Questionado se a decisão de arquivar as denúncias resolveria a crise política no Senado, Calheiros respondeu: "O time não é meu, mas o Senado precisa dar uma resposta mais eficiente à sociedade, com votações importantes".

 

 

Veja como votaram os senadores nos dois casos:

 

Pela abertura dos processos:

Demóstenes Torres (DEM-GO)

Eliseu Resende (DEM-MG)

Rosalba Ciarlini (DEM-RN)

Marisa Serrano (PSDB-MS)

Sérgio Guerra (PSDB-PE)

Jefferson Praia (PDT-AM)

 

Pelo arquivamento dos processos:

Wellington Salgado (PMDB-MG)

Almeida Lima (PMDB-SE)

Gilvan Borges (PMDB-AP)

João Pedro (PT-AM)

Ideli Salvatti (PT-SC)

Delcídio Amaral (PT-MS)

Inácio Arruda (PCdoB-CE)

Gim Argello (PTB-DF)

Romeu Tuma (PTB-SP)

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