Apoio a Mercadante faz cúpula do DEM paulista cogitar expulsão de Apolinário

Para vereadores, líder do partido na Câmara Municipal causou 'desconforto' ao apoiar petista

Andre Mascarenhas, do estadão.com.br / SÃO PAULO

15 de junho de 2010 | 20h13

A cúpula do DEM paulista decidiu colocar em curso nesta terça-feira, 15, uma operação para retirar a liderança do vereador Carlos Apolinário na Câmara Municipal de São Paulo, e que pode resultar na sua expulsão da sigla. Na véspera, o vereador provocou insatisfação entre colegas de partido ao anunciar apoio à candidatura do senador petista Aloizio Mercadante ao governo do Estado, contrariando decisão da legenda de lançar o nome de Afif Domingos para a vaga de vice do tucano Geraldo Alckmin.

 

Com críticas ao PSDB, Apolinário anuncia apoio a Mercadante

 

O futuro de Apolinário será decidido em uma reunião da bancada de vereadores do DEM marcada para a tarde desta quarta-feira, 16, na Câmara. De acordo com um auxiliar próximo ao prefeito Gilberto Kassab, que é o presidente do DEM em São Paulo, além da retirada da liderança na Casa, um requerimento para a expulsão de Apolinário da legenda também será discutido pelos vereadores.

 

Coube ao vereador Domingos Dissei convocar o encontro. Segundo ele, foram os próprios vereadores do DEM que pediram para que o assunto fosse discutido. "Todos se sentiram muito inconfortáveis com a decisão do líder", relatou Dissei, que é o vereador com mais tempo de partido. A avaliação entre os membros da sigla é a de que Apolinário deveria ter discutido com a bancada sua insatisfação com o apoio do DEM a Alckmin antes de anunciar o apoio a Mercadante. "Se não há consulta (à bancada), não há liderança", avalia Dissei. Será necessário o aval de quatro dos sete vereadores do DEM para que operação contra Apolinário seja bem-sucedida. Membros da bancada consultados pelo estadão.com.br avaliam que a liderança de Apolinário já está comprometida.

 

Apolinário se defende dizendo que optou por não comunicar a bancada da decisão exatamente para não desagradar ao partido. Segundo ele, sua decisão reflete uma opinião pessoal, e não uma tentativa de liderar uma dissidência dentro da legenda. "Eu não quis arregimentar outros vereadores. Meu objetivo não era criar uma dissidência", explicou, ao ser questionado se havia conversado com outros filiados do DEM insatisfeitos com o apoio a Alckmin.

 

Apolinário argumenta ainda que a decisão de apoiar Mercadante não atrapalhará seu trabalho na Câmara Municipal. "O prefeito não pode reclamar do Apolinário como vereador. Sempre apoiei o governo e vou continuar apoiando", afirmou. Ele não esconde, entretanto, o caminho que irá tomar caso seja expulso do partido. "A bancada tem de decidir se me quer no governo ou na oposição", pondera. Ele afirma, entretanto, estar preparado para um revés. "A política é uma atividade de risco, como todas as outras, e eu estou preparado caso a bancada decida tomar a liderança. Ou para qualquer outro passo que eles resolvam dar."

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