Apoio a Campos é 'correção de rumos' nas alianças políticas, diz presidente do PPS

Para Roberto Freire, reencontro do partido com o PSB é reaproximação à esquerda que fortalece oposição ao PT

Iuri Pitta, O Estado de S. Paulo

09 Dezembro 2013 | 18h32

Uma reaproximação das "esquerdas democráticas", a fim de reconstruir um "projeto de desenvolvimento para o País". Para o presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire (SP), é isso o que representa a decisão do partido de apoiar a candidatura do governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, ao Palácio do Planalto, aprovada em congresso na noite de sábado. O senador Aécio Neves (MG), provável nome do PSDB para a disputa presidencial, tentou fazer com que essa decisão saísse só em 2014, mas a maioria optou por tomar essa posição antes de acabar o ano.

Freire reconhece que, ao preferir uma composição com os "socialistas" em detrimento dos "social-democratas", o PPS faz um freio de arrumação ideológico. "Há uma certa correção de rumos na questão da aliança política, isso foi também discutido, e a ampla maioria do partido considera esse momento crucial para derrotar o lulopetismo, fortalecendo uma outra alternativa no campo das oposições", disse o deputado em entrevista à TV Estadão. "O PSDB é social-democrata, mas nesses últimos tempos há um crescimento de alianças com o espectro liberal, de direita democrática, mas com uma visão mais voltada ao liberalismo econômico."

Assim como Campos e a ex-ministra Marina Silva, cuja Rede Sustentabilidade aderiu ao PSB ao ter negado o registro do partido na Justiça Eleitoral, o PPS também foi um aliado do governo Luiz Inácio Lula da Silva que rompeu com o PT. O partido deixou o primeiro mandato petista em 2004 - na época, ocupava o Ministério da Integração Nacional com Ciro Gomes, que deixou a sigla e permaneceu ao lado de Lula.

"Por que esse reencontro (entre PPS, PSB e aliados de Marina)? Nós estávamos todos juntos no governo Lula, imaginávamos que era uma esquerda que vinha para fazer mudanças, um projeto de desenvolvimento para o País. Nós nos sentimos fraudados pelo governo Lula", disse Freire. "Os outros demoraram um pouco mais, mas ainda bem que saíram."

Pró-Alckmin. No mesmo congresso do fim de semana, o PPS decidiu apoiar a reeleição do tucano Geraldo Alckmin em São Paulo, um governo "avançado", que "não é conservador ou atrasado" e combina com a concepção de "nova esquerda" da aproximação com o PSB. No partido de Campos, os dirigentes da sigla também defendem essa posição, mas os aliados de Marina defendem candidatura própria. Freire discorda da ex-ministra.

"Para Eduardo Campos, é importante em São Paulo não ter candidatura que represente traço, que não seja competitiva. São Paulo não é campo para experimento, é o principal Estado da federação", avaliou. "O PSB tem uma boa presença em São Paulo junto de quem tem o poder no Estado. Se o governo Alckmin permite que o PSB, assim como o PPS, exerçam função importante, por que sair?"

Agronegócio. Freire também defendeu a busca de um "denominador comum" em questões como a relação de Campos e Marina com o agronegócio, um setor imprescindível para a economia, segundo o presidente do PPS. Como o Estado mostrou no domingo, empresários do setor resistem às ideias da ex-ministra do Meio Ambiente. "Marina traz um bom cabedal nessa questão do meio ambiente. Agora, tem que se chegar a um denominador comum, se não vamos voltar aos tempos das florestas", afirmou. "Ela começa a compreender, ela teve inclusive alguns encontros agora com esse setor para chegarmos a um denominador comum. Ninguém quer voltar ás florestas nem a degradação total."

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