'Apoiamos a proposta do impeachment, isso não é golpe', diz Aécio

Senador afirmou que PSDB recebeu anúncio com 'naturalidade' e avaliou que caberá aos parlamentares, primeiro na Câmara, depois no Senado, 'acolher o sentimento da população brasileira'

Gustavo Porto, Rachel Gamarski, Ricardo Brito e Isabela Bonfim, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2015 | 19h56

BRASÍLIA - O senador e presidente nacional do PSDB, Aécio Neves (MG), afirmou, nesta quarta-feira, 2, que o partido recebeu com "absoluta naturalidade" a decisão do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-MG), de deferir o pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff (PT), segundo ele "ancorada naquilo que prevê a Constituição". Aécio negou que a prática seja um golpe. "Nós apoiamos a proposta do impeachment, isso não é golpe", disse ele, que foi derrotado por Dilma nas eleições presidenciais de 2014, durante a sessão do Congresso que aprovou a revisão da meta fiscal de 2015.

Aécio repetiu várias vezes que a Dilma "perdeu as condições de governar" e avaliou que caberá aos parlamentares, primeiro na Câmara, depois no Senado, "acolher o sentimento da população brasileira". O parlamentar considerou como "extremamente consistente" a peça que deu origem ao pedido de impeachment - produzida por juristas como Miguel Reale Jr., ex-ministro do governo Fernando Henrique Cardoso, e Hélio Bicudo, fundador do PT. "O que existe neste momento é o sentimento da prudência para que o processo tenha o trâmite adequado e a presidente apresente suas justificativas".

Para o senador, há um sentimento crescente na sociedade brasileira por um novo momento no Brasil, com a retomada da confiança e dos investimentos. "E a retomada terá de ser feita sem o atual governo, pois percebemos que veio perdendo as condições mínimas de nos tirar dessa crise".

O líder tucano disse ainda que o Brasil "felizmente", tem instituições que funcionam e que a solidez de órgãos da Justiça e o Congresso vão tirar o País da crise e concluiu: "Existem elementos consistentes que podem levar ao afastamento da presidente da República".

Conselho de Ética.  O senador disse ainda que a decisão do partido no Conselho de Ética da Câmara em votar pela admissibilidade do processo de cassação deCunha não mudará com a decisão do deputado federal em abrir o processo de impeachment contra Dilma. "O PSDB já tem posição externada pela continuidade de investigações em relação ao presidente da Câmara e ele terá também o direito de defesa", justificou Aécio.

Para o senador, o presidente da Câmara "cumpriu com suas atribuições", e deu andamento ao processo de impeachment, "da mesma forma que mandou para o arquivo vários outros processos que chegaram". 

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