Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Apoiadores de Campos dizem esperar dinheiro

Marina passa por saia-justa ao visitar um dos 'comitês voluntários', ideia que ela usou em 2010

ISADORA PERON / SÃO PAULO, ALEX CAPELLA , ESPECIAL PARA O ESTADO, BELO HORIZONTE, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2014 | 02h05

Dois proprietários de imóveis onde foram inaugurados as primeiras "Casas de Eduardo e Marina" disseram esperar receber dinheiro pela iniciativa. Ontem, a candidata a vice-presidente na chapa de Eduardo Campos (PSB), Marina Silva, passou por uma saia justa ao visitar um desses "comitês voluntários" em Osasco, na Grande São Paulo, pois o dono da residência, Edivaldo Manoel Sevino, afirmou ter expectativa de retorno financeiro por ceder o espaço.

Ao gravar um depoimento para ser usado pela campanha, Sevino, desconfiado, perguntou se poderia mesmo falar a verdade sobre o que o motivara a transformar o local em um comitê de campanha. Encorajado pelos assessores de Marina, ele fez um gesto com a mão e disse que esperava "receber unzinho" pela atitude.

Defensora do "engajamento político", a ex-ministra propaga a ideia de que essas casas - nos moldes da iniciativa que colocou em prática em 2010, quando foi candidata à Presidência - funcionarão de forma voluntária e com a participação de pessoas que "compartilhem" das suas ideias e das de Campos.

Quando soube da fala de Sevina, Marina ficou visivelmente constrangida e comentou com um dos assessores: "Isso é muito grave". Questionada por jornalistas sobre o episódio, ela rechaçou a prática de pagar por apoio político e disse que pediu para os seus aliados que organizaram o evento apurarem o caso. "Não trabalhamos dessa forma, nunca fizemos esse tipo de coisa e isso nem pode de acordo com a lei", afirmou.

Marina argumentou ainda ter ficado evidente que ela não sabia de qualquer oferta de compensação financeira a Sevino, pois foram os seus próprios assessores que fizeram a gravação e foram surpreendidos com a resposta. Antes do episódio, a ex-ministra havia dito que ficou "emocionada" com o gesto do dono da casa e que aquele momento era um exemplo da "renovação da política".

Minas. Responsável pelo primeiro "comitê voluntário" da dupla inaugurado na periferia de Belo Horizonte, na semana passada, o pedreiro Hélio Castro disse ao Estado que estava trabalhando na campanha por dinheiro. "Ué, mas não dá para ficar por conta sem receber. Além do mais, isso (o dinheiro) faz a gente trabalhar com mais alegria", ressaltou Castro, descartando a possibilidade de fazer campanha de graça.

O pedreiro disse que combinou com os dirigentes do PSB mineiro que o filho Lucas "ficará por conta" da campanha, mas não quis falar de valores. Ele disse que o filho aguarda os materiais e a ajuda financeira para iniciar o trabalho. Na sede do PSB em Minas, ninguém quis falar sobre como os comitês estão sendo montados nem sobre possíveis remunerações.

A campanha nacional nega que tenha sido ofertado dinheiro em troca da organização dos espaços. Desde a semana passada, quatro deles já foram inaugurados com a presença de Campos ou de Marina. Segundo a assessoria de imprensa da dupla, mais de 450 pessoas, em todo o País, já ofereceram suas casas para a iniciativa.

O vídeo gravado ontem pela equipe da campanha do PSB em Osasco não foi divulgado nas redes sociais, mas tanto Campos quanto Marina destacaram no Facebook o novo comitê inaugurado na cidade. / COLABOROU ANA FERNANDES

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