Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Apoiadores de Bolsonaro atacam Moro, Congresso e Supremo durante ato

Grupo pequeno de simpatizantes do presidente se juntou na Esplanada dos Ministérios; eles também pediram a volta do regime militar e deposição de governadores

Patrik Camporez, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2020 | 14h06

BRASÍLIA - Com frases e cartazes de ataque ao ex-ministro da Justiça Sérgio Moro, ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Congresso Nacional, apoiadores do presidente Jair Bolsonaro se aglomeraram em Brasília, na tarde deste sábado, 9, em mais um ato antidemocrático convocado pelas redes sociais.

Diferente de outras manifestações, está não contou com a presença do presidente da República. Os próprios apoiadores reconheceram que o ato foi "minguado", nas palavras de um dos organizadores, que disse ter vindo de Goiânia (GO). "Não atenderam ao chamado do capitão", disse, em referência a Bolsonaro.

O grupo permaneceu por mais de uma hora em frente ao Palácio do Planalto. Aos gritos de "mito, cadê de você? Eu vim aqui só pra te ver", os manifestantes se dispersaram aos poucos, por volta das 14h30.

Parte dos manifestantes vaiaram o hasteamento da bandeira nacional a meio-mastro, uma homenagem do Congresso aos mortos pela covid-19 no País. Os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), decretaram luto nacional por três dias, em razão da marca de dez mil óbitos, que deve ser atingida oficialmente neste sábado, 9. Nesse período, ficam proibidas quaisquer celebrações, comemorações ou festividades. 

De cima de um trio elétrico que exibia uma faixa com a frase "STF Ditador", líderes do movimento pediam a volta do regime militar e o fechamento do Congresso Nacional. No microfone, cobravam, inclusive, a deposição dos governadores.

"Força, família policial. Queremos o Exército nas ruas. Fora governadores, fora Supremo. O Brasil apoia Jair Bolsonaro. Fora Dória, fora Alcolumbre, vocês são uma vergonha nacional. O Brasil cansou de vocês", discursou uma manifestante, sendo aplaudida pelos apoiadores.

Na lateral do gramado, manifestantes também se aglomeram em torno de carros de som, que tocam hinos das forças armadas. O ato ignora todas as recomendações do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A maior parte dos apoiadores não usa máscaras de proteção. No microfone, eles também usam palavras de ataque à imprensa e fazem orações para o presidente. 

Os líderes do movimento chegaram a pedir ao microfone, em certo momento, que os bolsonaristas devem"caçar" petistas infiltrados na manifestação. "Sabemos que vocês estão aqui. Vamos achá-los e entregar à polícia."

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