Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Candidato de Bolsonaro, Lira diz que é preciso ‘tirar superpoder’ da presidência da Câmara

Deputado diz ainda que, se eleito, será independente e que País está cansado de briga

Rafael Moraes Moura e Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

01 de fevereiro de 2021 | 21h13

BRASÍLIA – Candidato do presidente Jair Bolsonaro na disputa pelo comando da Câmara, o deputado Arthur Lira (Progressistas-AL) disse na noite deste segunda-feira,1º,  ser preciso tirar o “superpoder” da presidência da Câmara e devolvê-lo para o plenário. Ao criticar o atual presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o parlamentar também questionou se por acaso há um trono, ao invés de uma cadeira, para o chefe da Casa.

“Temos de tirar o superpoder da presidência, como foi nos últimos anos e devolver o seu poder, para o plenário da Câmara. Ao presidente cabe ouvir. Menos ‘eu’, mais ‘nós’. O presidente não pode ter posições pessoais”, afirmou Lira. “A Câmara tem de ser de todos. A Câmara do 'nós', e isso não é slogan de campanha, nem frase de efeito, é a alma desta Casa. Por favor, olhem para a cadeira da presidência, por acaso há aí um trono?”, questionou, em referência ao atual comandante da Casa. Maia trabalha para a candidatura do deputado Baleia Rossi (MDB-SP).

O deputado aliado de Bolsonaro criticou o personalismo de Maia e fez acenos aos deputados de esquerda, de centro e de direita dizendo que cumpre a palavra e não tem candidato “laranja”. “Quero ser o presidente que não será o mais famoso dos deputados, o que vai aparecer mais na televisão e nas redes sociais”, disse. 

Chefe do Centrão, Lira conta com o apoio de Bolsonaro na disputa pela presidência da Câmara dos Deputados, marcada para segunda-feira, 1.º. Lira defendeu uma Câmara “independente”, mas o Palácio do Planalto abriu os cofres do governo para garantir a sua vitória.

Como o Estadão revelou, o governo abriu o caixa do Ministério do Desenvolvimento Regional e autorizou a execução de obras e demais ações indicadas por 285 parlamentares, no valor de R$ 3 bilhões, enquanto negocia o apoio à candidatura de Lira na Câmara e de Rodrigo Pacheco (DEM-MG), eleito hoje o novo presidente do Senado.

Lira fez uma campanha prometendo “desconcentrar” o poder da presidência da Câmara. Prometeu transparência na pauta e distribuir relatorias dos projetos com isenção e respeitando a proporcionalidade dos partidos. “51 milhões de votos não podem continuar a ser subalternos da vontade de um só, a Câmara não pode ser a Câmara do eu. Temos que retirar os superpoderes da presidência como foi nesses anos e devolver ao seu único dono, o plenário”, afirmou.

Dois dias depois da eleição para a presidência da Câmara, Lira tem encontro marcado com a Justiça alagoana. Lira foi intimado a prestar depoimento como réu na próxima quarta-feira, dia 3, às 15 horas, em uma ação de improbidade administrativa relacionada ao escândalo de “rachadinha” na Assembleia Legislativa de Alagoas. A ação se arrasta há 12 anos.

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